Preto & Branco

Perante a propagação da Covid-19: “Quem canta espanta o medo”

– Considera a cantora Tchakaze

Depois do mediatizado lançamento da álbum Txukela, no pretérito mês de Novembro, a cantora Tchakaze anuncia o lançamento de nova música, a ser seguida de vídeo, denominada “Vinte Vinte”, que vem a contexto de consciencializar e entreter às pessoas sujeitas ao “isolamento” pela propagação da pandemia do novo corona vírus, causador da doença Covid-19. E diz ser, nestas circunstâncias, papel do artista desanuviar receios, pois “ quem canta espanta o medo”.

Esta para breve o lançamento de mais uma música e, em seguida, o vídeo intitulado “Vinte Vinte”, que surgiu no âmbito da pandemia que nos assola, mas na continuidade de sua carreira, visto que o ritmo estará dentro do afro-fusion, também caraterística do seu álbum Txukela (termo vernáculo que significa açúcar) lançado faz pouco tempo.

“Não fazia sentido ficar indiferente numa altura em que o medo e o trauma tomou parte considerável das nossas vidas. Já estamos na terceira fase de confinamento, associado ao Estado de Emergência. Pensamos que as pessoas precisam de algo diferente, uma música que dá voz às várias situações difíceis pela pandemia, para animar as suas vidas, dançando de alegria porque tudo que devíamos saber acerca de medidas de prevenção já sabemos, fomos concentrados o suficiente e acaba não sendo positivo para o psicológico humano”, considerou esta artista em ascensão.

Tchakaze, cujo nome oficial é Teresa Rangel Semende, ajunta que ficou claro e evidente que “precisamos de alguma coisa que pode desconcentrar todo acumulado ao longo de três meses em casa, pelo que com a minha voz associada à harmonia instrumental possa responder à demanda dos meus admiradores e não só”, avançou.

Esta cantora afro e fusion, que com os seus frescos 30 anos já arrecadou prémios musicais, considera que em momentos de crise, os fazedores de artes, para o caso vertente a música, agem na sociedade como activistas sociais, trazendo a diversidade no que bem sabem fazer, por isso, concluímos que não podíamos ficar indiferentes perante um público maravilhoso, … proporcionando o conforto, amparar e recuperar a identidade, se calhar, dançando e cantando podem espantar seus medos”, aventou, numa reconstrução, tácita, do chavão popular: “quem canta aos espíritos espanta”.

Com a iniciativa musical “Vinte Vinte”, já na rampa de lançamento, “achamos que podemos trazer mais energia e oxigénio, afinal considero-me a voz do povo, falo e faço pelo mesmo povo, tem que sempre haver alguém que alimenta-lhe a esperança”, referiu Tchakaze.

Falando da trajectória dos preparativos da empreitada em voga, disse que desde a inclusão desta pandemia tem feito alguns vídeos com mensagens para aliviar problemas psicológico que as pessoas podem ter contraído neste período de confinamento, assim como algumas doenças que podem surgir ou agravar. “Tem sido na base da música que tenho inovado para as pessoas sentirem-se amparadas e distraírem-se de alguma forma, fortalecendo a convicção de que com a observância de medidas de prevenção impostas pelas autoridades um dia a crise vai passar e, a vida voltará a normalidade pelo que: “fique em casa”, apelou.

A finalizar, Tchakaze aproveitou a oportunidade “para agradecer a todos seguidores, em especial para Jojo Zita e a Bz Record que ambos destacaram-se no âmbito de preparação, gravação e produção do meu álbum (Txukela). Agradecer ao projecto Supastar associado ao Dj Ardiles e ao produtor Délio Tala pela produção da nova música Vinte Vinte”.

Tchakaze, uma das referências do contemporâneo cenário da música moçambicana, que além de ser cantora é intérprete e compositora, distingue-se por compor temas de intervenção social e pela fusão de estilos moçambicanos, realce para os temas como Nkata e Donguissa, com os quais recebeu recentemente os prémios de Revelação Feminina e Melhor Voz no concurso Ngoma da Rádio Moçambique, respectivamente.

Aliás, falando do seu álbum aquando do lançamento, referiu que “no álbum há uma fusão de diversos estilos musicais, uma espécie de afro-fusão. Não fujo daquilo que é o meu característico: o Afro. Mas temos Pandza, Marrabenta; em suma posso dizer que é uma colecção de estilos tradicionais de Moçambique”, caracterizou.

Segundo apuramos, Tchakaze nasceu em Maio de 1990, num dos bairros periféricos da cidade de Maputo, Malhazine. Sempre gostou de cantar e foi destaque em grupos de canto na Igreja Metodista Unida, onde é crente. Aos 17 anos, pela primeira vez, teve o privilégio de subir a um palco como corista do músico Peny Peny, na companhia das irmãs Belita e Domingas juntamente com a banda Omba Mô. Permaneceu com esta banda algum tempo, fazendo coros para vários artistas moçambicanos até que começou a profissionalizar sua carreira. Esse sonho começa na banda Tangalane, onde era vocalista principal até fins de 2010. Em 2014, entra para Indústria de Bom Som (IBS), onde grava sua primeira música a solo “Nkata”. Logo em seguida lança a música “Donguissa”, que lhe valeu dois prémios: Melhor canção pela 99FM e Revelação Feminina no Ngoma. Dai as portas ao mundo musical e ao brilho das estrelas se escancararam ao seu talento e performance.

 

 

 

 

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