Preto & Branco

indicador mensal avançado de conjuntura económica PMI, elaborado pelo Standard Bank

O alargamento recorde dos prazos de entrega devido ao isolamento obrigatório

Nos últimos dados do PMI revelam um declínio considerável no sector privado moçambicano, enquanto vigoram as medidas de isolamento obrigatório criadas para travar a propagação da Covid -19 novo coronavírus. A actividade registou uma descida abrupta em junho, com muitas empresas a fechar e outras a enfrentar quedas acentuadas na procura. Os números relativos ao emprego também diminuíram, ainda que ligeiramente. Não obstante, as empresas continuavam confiantes num aumento da produção, no decorrer do próximo ano. O principal valor calculado pelo inquérito é o Purchasing Managers’ Index™ (PMI™). Valores acima de 50,0 apontam para uma melhoria nas condições para as empresas no mês anterior, enquanto os registos abaixo de 50,0 mostram uma deterioração. O principal indicador do PMI situou-se nos 41,7 em junho, o valor mais alto em três meses, reforçado na sequência do valor mas baixo de sempre, registado em abril. Todavia, o registo assinalou um forte declínio nas condições para as empresas, com os principais índices, como a produção, novas encomendas e emprego, a situarem-se abaixo do valor neutro de 50,0. A actividade empresarial caiu a um ritmo substancial em junho, nas empresas moçambicanas, situação essa que foi predominantemente associada à pandemia de coronavírus e ao prolongamento das medidas de isolamento obrigatório ao longo do mês. No entanto, a taxa de declínio foi a mais lenta desde março. As condições de procura registaram igualmente um abrandamento, à medida que as novas encomendas caíam abruptamente no sector privado. Isto levou a que as empresas reduzissem a aquisição de meios de produção e limitassem os stocks. Em contrapartida, as taxas de declínio dos três indicadores foram as mais baixas dos últimos três meses. Entretanto, as empresas moçambicanas conseguiram reduzir as encomendas de forma acentuada, em junho, evidenciando uma capacidade excedentária à medida que a procura diminuía. O menor crescimento das vendas também levou as empresas a reduzir os recursos humanos, embora este tenha sido um declínio ligeiro. Os esforços para reduzir os custos implicou uma descida dos salários no sector privado a um ritmo sem precedentes, em junho, com os membros do painel a aplicar reduções salariais significativas por forma a lidar com o abrandamento das receitas durante a pandemia. Os custos totais dos meios de produção caíram pelo terceiro mês consecutivo, impulsionados por uma descida nos preços dos fornecedores. Os encargos com a produção também registaram um declínio, motivado sobretudo pelos descontos para os clientes. Os fornecedores continuaram a enfrentar dificuldades no fornecimento das empresas devido ao isolamento obrigatório a nível nacional, o que provocou um aumento ainda maior dos prazos de entrega. Em particular, a deterioração registou o valor mais alto na história da série (que começou em abril de 2015). Por último, e apesar do baixo nível de actividade e de procura pelo terceiro mês consecutivo, em Moçambique, a confiança das empresas em relação à produção futura manteve-se forte. A maioria das empresas salientou que ainda esperam um crescimento nos próximos 12 meses, contanto que o isolamento obrigatório seja retirado em breve.

 

Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank, comentou: “Moçambique continua a assistir a um aumento no número de infeções por Covid-19, com pouco menos de 900 casos, o que sugere incerteza quanto à data e ao número em que será atingido o pico de casos diários. A nível global, muitos países já passaram o pico do número de infeções diárias por Covid-19. Por conseguinte, a maioria dos governos começou a atenuar as medidas de distanciamento social, à medida que preparam as suas economias para um “novo normal”. “Em Moçambique, o Estado de Emergência, em vigor desde Abril, foi prorrogado até Julho para ajudar a conter a propagação da pandemia. Como era esperado, mesmo com o aumento do número de casos, o governo atenuou algumas das medidas restritivas, de forma a apoiar a actividade económica. As escolas irão abrir de forma gradual, o sistema de saúde será reforçado com mais funcionários, as empresas assistirão a um aumento no número de trabalhadores permitidos, de 1/3 para cerca de 50%, estando igualmente a ser considerada a abertura aos voos internacionais. “No nosso cenário base actualizado, o crescimento do PIB abranda dos 1,7% registados durante o primeiro trimestre de 2020 para -3,3% durante o segundo trimestre de 2020, permanecendo em recessão durante o resto do ano, a -1,0% para o terceiro trimestre de 2020, e -0,9% para o quarto trimestre de 2020, surgindo a recuperação a partir de 2021, suportada pelo investimento nos projectos de gás natural em curso (Coral FLNG e Mozambique LNG), com valores de investimento superiores a 35 mil milhões de USD.”

 

 

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