Preto & Branco

Sobre a Terceira Prorrogação do Estado de Emergência

O Presidente da República prorrogou pela terceira vez o Estado de Emergência por mais trinta dias. A medida foi aplaudida por vários sectores da nossa sociedade que viram nesta medida uma resposta adequada e consentânea com o evoluir dos casos positivos no país, particularmente com a fase de transmissão comunitária nas cidades de Nampula e Pemba. Nesta decisão presidencial de prorrogação do Estado de Emergência procurou-se encontrar um equilíbrio entre o funcionamento da economia e o controlo sanitário.

Todavia, uma das medidas anunciadas pelo PR, embora ainda não regulamentadas (29.0620), e que está a gerar ondas de grandes de preocupação na sociedade é a retoma gradual do ensino presencial. E não é para menos. Objectivamente em mais de 95% ou mais dos estabelecimentos de ensino à escala nacional não apresentam condições mínimas que permitam uma retoma segura senão vejamos:

  1. Na maioria das escolas não há água corrente nas ‘casas de banho’ ou melhor no que outrora foram casas de banho e que hoje apresentam-se em estado de total destruição, nojentas e mergulhadas em dejectos humanos;
  2. Nas poucas ainda com água corrente, nada garante que de forma permanente haverá sabão suficiente e controlo adequado da higienização das mãos;
  3. As salas de aulas com mais de 80 alunos, como irá garantir-se o distanciamento físico e social dos mesmos?
  4. No caso particular das crianças, quem, como, e em que moldes irá garantir o cumprimento da medida de higienização das mãos?
  5. Quem irá controlar a deslocação de crianças de casa para a escola e vice-versa?
  6. No momento actual em que as aulas estão suspensas, o transporte público continua um ‘bico de obra’. Como será observada a lotação dos veículos tendo em conta o número de alunos e a escassez dos meios circulantes. O que dizer dos abraços nos ‘my love’? Como serão geridos os atrasos? E as faltas?

Estes são apenas alguns dos questionamentos da sociedade. Não são ainda os mais elaborados. São apenas os mais básicos e que pairam no imaginário social. Reconhecemos a necessidade de garantir a normalização da vida tendo em conta que a Covid-19, não é uma doença passageira, é algo que devemos aprender a viver com ela; temos que domesticá-la! Porém, as especificidades do nosso país são diferentes das dos outros países em outras latitudes. Temos que ter visão e pensamento próprio! Temos que ter abordagens endógenas fundadas nas especificidades, particularidades próprias. Não temos condições de retorno às aulas presenciais. Todo o esforço e sacrifícios consentidos em 120 dias terão sido todos em vão! Realisticamente, não temos condições para o retorno das aulas presenciais. Por favor, revejam essa decisão!

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