Preto & Branco

As “caras” da cantora Rhodália

Umas das cantoras que se evidencia cada vez mais, no estrelato da música nacional, Rhodália Silvestre, tem na mulher o seu “amuleto” e fonte de inspiração, tendo-a eternizada na música “Wansati”, que na língua changana significa necessariamente: mulher. Como se isso não bastasse, quase que a idolatra, na entrevista que concedeu ao nosso jornal Preto&Branco.Outra nota de realce é que Rhodália revela-se polivalente, sendo também empreendedora.

A abrir a conversa com o Preto&Branco, revelou que é uma mulher bem-parecida com a sua mãe. “A minha aparência visual pode confundir a tantos, porque gosto de cabelo natural, contrário do comum das manas localmente, que não apostam no cabelo natural. corto punk e a minha pronúncia quando falo a língua portuguesa, afinal, não me comunico com perfeição, eis a razão de quando em vez introduzir algumas palavras estrangeiras”, contextualizou-nos.

Rhodália conta-nos ter passado pela ópera e gospel ao longo da sua infância, e que escutava muito a música Reggae, pelo que “meus temas versam a mulher, fortificando-a cada vez mais, o dia-a-dia e as vezes o romance”, explica, justificando que nas suas músicas destaca a mulher pós “ela assemelha-se a uma âncora, símbolo de vida, símbolo de ventre. Ela é uma simbologia da renascença, única na espécie humana”, vincou.

Ajuntou, ainda, que a mulher apesar de ter estas qualidades todas, tem sido a principal vítima de maus tratos, sendo o seu contra-peso exaltá-la, para repor a sua importância, embora para tal precise ser forte. ” Ela pode fazer e fazer melhor, eu amo mulher, eu amo o que eu sou, acho-me válida e importante na sociedade”, frisou.

Questionada sobre a situação de ser-se músico em Moçambique, refere que tem ambos lados, bom e mau. “Aqui no país ainda temos dificuldades de considerar a música como uma profissão, pois, o trabalho de um artista, assemelha-se a um emprego. Infelizmente considera-se a música como se fosse apenas para diversão, não tem havido consideração e respeito”, desabafou.

Voltando à carga o assunto, referiu haver ainda muita coisa em falta.” Ora vejamos, em outros países existe crédito bancário para músicos, o que aqui não acontece. Se reparar, o músico nacional não tem participado no 1° de Maio, alusivo ao Dia do Trabalhador. Algo bom é que o povo tem positivamente recebido a música”, ressalvou.

Falando propriamente de si, foi categórica: “Eu vivo da música, consigo sustentar as minhas filhas”, evidenciou, mas aponta que com a Covid-19 o prejuízo ronda os 99.9%. ” Perdemos o público e as actuações ao vivo, diferente de outras áreas artísticas. Mas tenho participado em várias realizações para chamar atenção à sociedade a pautar pela prevenção e observação das medidas de prevenção no âmbito da pandemia do novo coronavírus, a Covid-19. Tenho participado em Lives”, refere Rhodália.

Sobre os temas marcantes na sua carreira, o destaque vai para a música “ Wansati ”(termo changana que significa Mulher), ainda muito sonante no panorama musical nacional, uma espécie de seu  “grito”  de guerra na exaltação da mulher, seus sacrifícios e virtudes.

O Sonho empreendedor que desponta

Além de cantora vibrante, Rhodália tem outra paixão, que é o empreendedorismo, na área industrial, que se vislumbra com sua segunda “cara”.

Diz, e, de forma modesta:” Gostava de ser uma empreendedora, tenho a minha indústria caseira, na qual fabrico sabão a partir de Coco e Muringa”, revela a cantora, acrescentando que “são produtos naturais, e não só, sei fabricar biogás apesar de ainda não saber como posso vender e ter algum ganho”, surpreende-nos.

A cantora, não pára por aqui quanto aos sonhos multifacetados. “Gostava de ter uma Associação das Mulheres de Intaka (bairro onde vive), para ajudar as mulheres (mães) solteiras, para que juntas possamos desenvolver a indústria de produtos naturais, pois, localmente temos matéria prima”, avançou.

Recentemente havia editado quinhentas copias e esgotei em três meses e esperávamos editar mais aquando do lançamento, mas com a pandemia tudo ficou para trás devido a crise humanitária”, assinalou.

Deixou registado na nossa entrevista que ” ao longo da minha infância tive muito apoio da minha família, meu pai e minha mãe investiram muito em mim”.

Sobre o retorno do seu trabalho disse ter já ganho prémios. “Meu vídeo ganhou num concurso da Kodak, já ganhei o prémio de melhor vídeo, em 2017 ganhei o prémio Revelação no Ngoma, em 2018 ganhei a Melhor voz do Ngoma”, arrolou.

Sobre inspiração artística, apontou os músicos     Midnite, Thandiswa Mazwui, Burning Spear, como fontes internacionais, a nível nacional as referências vão para Yoka Chiconela, Onésia Muholovi, Helena Rosa e Omo Sangara.

Os tempos livres da Rhodália tem sido dedicado à sua horta no quintal que, segundo a mesma, toma conta pessoalmente, além de cuidar das suas filhas e dos seus estimados cães.

Sobre a sua actual agenda adiantou que tem um trabalho à vista, que fez uma colaboração com o músico Mavudja, recentemente disponível ao público.

Como mensagem para os fãns, Rhodália diz: ” fiquem em casa! faça a uma horta, se não tem espaço suficiente, improvisa vasos com vasilhas de plástico, sejamos criativos é altura certa para experimentar, quem não experimenta errou logo”, apela, advertindo.

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