Preto & Branco

“Há falta de apoio aos iniciantes das artes”, afirma NélioWamunene

O escritor Nélio Luís Mateus carinhosamente conhecido por NélioWamunene, afirma que o Governo e os demais parceiros recusam se a patrocinar os iniciantes das artes e letras no país alegando falta de credibilidade neles. O escritor diz ser urgente que se olhe pelos novatos, pois para ele estes são o futuro do Pais. A fonte também mostra-se indignado com as entidades que insistem em apoiar os artistas que estão no auge da carreira e assim abandonando os iniciantes.

Falando ao semanário Preto & Branco o escritor diz haver uma necessidade de financiar mais a juventude de modo a motiva-los a continuar com o seu trabalho. A fonte acredita que enquanto não se olhar pelos iniciantes das artes e letras o número de renunciante das artes irá subir gradualmente dia pós dia.

Entretanto diz ser muito difícil sobreviver a esta guerra de escassez de patrocínio, pois ultimamente nota-se que os iniciantes são os que mais carecem de patrocínio, não só na categoria da literatura mas também nas artes no geral. Desmanchou o escritor

O Pequeno escritor também mostra-se agastado com as entidades que devem zelarem pela promoção da cultura, e não o fazem, a fonte ainda contou um episódio que viveu na região centro do país, quando na altura residia na província de Manica, buscou ajuda sem sucesso, na Direcção de Cultura e Turismo de Chimoio, também submeteu um projecto pedindo ajuda na FUNDAC-Fundo Para o Desenvolvimento Artístico Cultural também foi infeliz, não parou por aqui também foi bater a porta do Conselho Municipal da Cidade De Chimoio na Direcção Das artes e Cultura, pois nesta tentativa também arredondou no fracasso.

Acreditando que estas e outras instituições não carecem de fundos para patrocinar as artes e cultura no país, a falta de confiança ou credibilidade para com o trabalho dos iniciantes, é que dificulta este processo, pois afirma que os artistas ja enraizados aproximam a essas casas e fazem o mesmo pedido e são patrocinados, portanto o entrevistado defende que os potenciais patrocinadores deve olhar a arte e cultura como um todo e não para uma minoria. ʺ afinal de contas o país é que sai a ganharʺ rematou a fonte

Porém o escritor admite que ainda não foi pedir auxílio ao Ministério Da Cultura e Turismo, sendo este a sua última esperança para salvaguardar as suas ideias.

O entrevistado revelou nos que conta com cerca de três (3) livros, mas que os mesmo carecem de patrocínio para que sejam impressos, o primeiro livro chama se: O pequeno vagueante de mãos dados com a dor, o segundo tem como titulo, O Filho do azar e suas tristes kantigas, e último é denominado Um rio de lágrimas num olhar sem choro.

Wamunene garantiu que as obras referidas existem em exemplares manuscritos, contudo afirma que nada pode fazer, pois lhe faltam fundos para a materialização destas obras em formato físico, para puder partilhar com o resto da sociedade as suas escrituras.

Contudo o escritor afirma que tem vários projectos que podem reforçar o apetrechamento das bibliotecas populares, mas no momento encontra se retirado da escrita, pois não há motivação para continuar a exercer estas actividades. Para sentir se motivado pedi pelo menos a materialização de um livro.

Actualmente o entrevistado debate-se com o problema de digitalização dos seus trabalhos, (equipamento), pois não tem com fazer isso por conta do material que não tem, mas confidenciou nos que já tentou solicitar apoio em material eletrónico numa das embaixadas acreditadas no País para melhorar a eficiência do seu trabalho, mas a resposta não satisfatória, que saiu da mesma casa sem forças para continuar a exercer as suas actividades normalmente.

“ Fui a uma embaixada aqui na capital pedir apoio em um computador, mas apresentaram uma burocracia que percebi que era uma maneira de me fazer desistir daquele pedido, pois na altura disseram que o meu argumento não tinha fundamentos” disse o escritor

Perante estas dificuldades Wamunene afirma que já pensou em desistir da literatura, pois na altura o entrevistado acreditava que fosse possível livrar se desta arte e seguir a sua vida normalmente trabalhando e no final do mês ganhar o seu salário.

Ainda assim a fonte enaltece o esforço de um dos seus amigos que na época aproximou se dele e   encorajando para não deixar de escrever. No entanto o interlocutor mostra-se lastimado de ter estático de compuser na altura, pois é da opinião que teria motivado diversos jovens e não só.

Contudo o interlocutor saúda a união entre os fazedores das artes em Moçambique e diz que é preciso reforçar esta coesão pelo bem da arte moçambicana, mad adiante afirmou que alguns artistas pensam que trabalhar sozinhos fará deles os melhores. Por sua vez defende que os artistas devem apostar em associações ou núcleo de artes, pois isso de alguma forma ajuda a catapultar a imagem do artista.

Olhando para a evolução da literatura e como uma forma de ajudar o iniciantes e os amantes das letras no geral, Nélio Wamunene defende que os iniciantes da literatura deviam unirem-se e produzir uma obra literária com diversas abordagens como por exemplo as crónicas, poesia por ai em diante, pois isso de alguma forma poderá alavancar a imagem dos artistas e também dar uma outra visão a literatura nacional.

Como amante das artes e cultura o escritor sonha em puder ajudar o mundo, através do seu trabalho, também sonha um dia puder representar o país além-fronteiras em matérias atinentes a sua área.

O entrevistado também contou-nos o marco mais importante da sua carreira pois, para além de escrever diz ser declamador de poemas. Já declamou uma vez porém considera se muito péssimo nisso.

A fonte revelou que na primeira vez que dirigiu se a um público para declamar uma poesia, deparou-se uma situação jamais vista, para os iniciantes, o público presente no evento pediu para que repetisse o mesmo texto, no final do texto o público gritava em coro junto do escritor e declamador as últimas palavras dos seus poemas, pois o jovem afirma que este foi o melhor momento que já viveu desde que começou as seguir a arte de uma forma séria.

O escritor foi mais longe ainda afirmando que este feito foi uma espécie de combustível para a sua carreira, pois aconteceu momentos depois de ter tomado uma decisão de largar as artes.

“ Enfim aquele momento levantou o meu auto estima” contou o escritor no tom de muita felicidade

Por fim Nélio deixou uma palavra de apreço aos iniciantes das artes e cultura, para que não desistissem, pois o caminho é para frente, provavelmente um dia irão se encontrar com aquilo que fazem de bom e melhor.

Entretanto o escritor começou a escrever nos princípios do ano de 2017, embora admiti que bem antes desse período já exercei algumas actividades ligadas a literatura, contudo veio a profissionalizar se em 2017, também contou que a paixão pela fotografia também explodiu no mesmo ano, graças a ajuda do seu amigo que na altura deu emprestado uma máquina fotográfica para garantir que fizesse as suas imagens sem nenhum problema, no que diz respeito ao material.

Quanto ao seu sonho de infância Wamunene contou que o seu sonho de infância era era ser um alfandegário, pois deixou se influenciar por um seu irmão que esta a fazer aquele trabalho a nível da província de Maputo.

“Eu sempre quis ser um alfandegário porque cobiçava o meu irmão, porque ele tinha uma boa vida por ai em diante” disse o escritor sorrindo.

De lembrar que Nélio Mateus não é só escritor, é também declamador, pensador e fotógrafo de natureza, que dia pós dia vai conquistando confiança da sociedade que já o emprega para retratar os momentos mais felizes das suas vidas, no caso dos matrimónio e por ai em diante.

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