Preto & Branco

“Ser Instrumentista é um acto de Deus”, considera Alcídio Pires

Tudo começou a passo por passo a mantiver uma conversa franca do nosso entrevistado para falar da sua carreira como instrumentista que pelo talento que tem, há quem não pode imaginar que é moçambicano. Ele trabalhou com o Saxofonista Morreira Chonguiça um dos ícones de toque daquele instrumento que ao tocar distraí a tristeza e traz harmonia social mas, para tal o artista conta-nos a seguir como ele entra nesse mundo de instrumentista.

Tudo aconteceu numa tarde de domingo em pleno ensaio no âmbito de isolamento social quando deparámo-nos com o músico moçambicano, Alcídio Abrão Mathaves Pires em pleno ensaio com alguns membros integrantes da banda. Quando espreitámos na sala todos demonstravam uma enorme satisfação na face. Ficámos com a vontade de ter dois dedos de conversa, desde já enaltecer a sua prontidão no fim de algumas horas intensas de ensaio.

O conceituado instrumentista, Alcídio Abrão Mathavel Pires disse a nossa reportagem que começou a tocar muito cedo e, Mbira é o instrumento favorito embora toca vários instrumentos musicais de entre os quais: saxofone, percussão e timbila.

Comecei a tocar desde a infância na escola em oportunidades de encerramento do ano lectivo, as vezes convidavam a Companhia de Canto e Dança, Timbila Muzimba e outros. Sou um jovem socialmente pobre mas rico em música com dom que Deus deu me na música para além da musica trabalho como desenhador gráfico a 17 anos .

De acordo com o instrumentista é paixão tocar instrumentos musicais, tanto que já ombreou com músicos como Moreira Chonguiça, Stewart Sukuma, Mingas, TP50, Xaiza, Roberto Chitsonzo para além de possuir musicas próprias nos CDs de renomados artistas.

As suas músicas abordam o dia a dia, são encorajadoras uma vez que o artista pessoalmente é pessoa fraca, e tem ajudado muitas pessoas ao envés de ajudar a si próprio.

“O futuro é incerto” ´na verdade, ser músico em Moçambique é amar a música sem pensar em retorno. Não sei se um dia conseguirei ter o investimento que fiz do meu material (instrumentos) através da música, pelo que é mais amar sem expectativa de retorno, se aparecer será bem vindo”, defende.

Pires vai ao além por expressar que a maioria de músicos nacionais brilham através da musica pelo que atreva-se afirmar que é possível viver da música. A componente artística tem várias áreas, como publicidade de imagem artística, venda de CDs, por enquanto vendendo mascaras,  este marketing empresarial pode lhe proporcionar ganhos incalculáveis mas lá está o mercado não esta para quem quer mas sim para quem pode.

Entretanto na sua humilde opinião frisa que “na minha óptica as empresas deviam apoiar a produção artística, ajudar os músicos, as TVs locais deviam dar espaço para promover a musica a semelhança de outros quadrantes, a industria hoteleira e restaurantes também deviam criar oportunidade para promover a cultura dando oportunidade de shows, as operadoras de telefonia móvel deviam apostar na cultura pós cada sociedade tem a sua identidade cultural” enfatizou.

Nesta fase da crise humanitária o artista tem feito Lives com meios próprios e fortifica os colegas das artes, e aliás é membro da Associação dos Músicos mas sublinha que não paga cotas há bastante tempo.

O artista já esteve nos momentos mais marcantes na sua carreira, e participou no  “Festival Hifa” no Zimbabwe e partilhou o palco com Chiwonisso, Oliver Mutukudze, Mbira Dzenharira e, também participou  no “Festival  Umodja”  na Noroega e diz que foi um bom projecto e acrescenta que gostaria de ser um professor da escola de Musica .

“Enquanto vivos sonhamos e para o caso em particular gostava de ser distinguido pelo meu trabalho musical e ter uma Escola de musica ou ser professor para ensinar o que sei da música e, para falar a verdade Deus foi quem depositou este talento em mim pelo que é divino”.  Não tenho nenhum disco oficial, mas já gravei vários temas meus nos álbuns de grandes músicos moçambicanos, estou a gravar parei um pouco por falta de condições financeiras já tenho nove (9) músicas no estúdio – Friend Studio só falta meter a voz e alguns acertos. Queria aproveitar esta oportunidade para agradecer a minha mãe, minha companheira (mulher) e dos meus irmãos, grande parte das minhas conquistas graças a eles, lamento até então não ter conquistado o trofeu como tal mas tive varias capacitações no âmbito da música onde tive Diplomas de Mérito”.

Portanto como na arena musical sempre existe um artista que na sociedade ou os músicos se inspira e para ele diz que admira Moreira Chonguiça pela luta que tem travado na carreira e conquista de tudo que tem com a indústria musical. E o mesmo está consciente que para um instrumentista ganhar um prémio é difícil geralmente ganham os vocalistas ou os líderes da Banda.

“Estamos diante de uma crise humanitária como já havia indicado no início fico em casa e vendendo viseiras de protecção online. Sem trabalho nesta pandemia investi o pouco dinheiro para a compra de viseiras de protecção”, explicou.

 

O artista diz que por falta de fundo e, associado a covid-19 alguns projectos ficaram comprometidos a semelhança da gravação estoa trabalhando só com a boa vontade dos seus colegas.

 

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