Preto & Branco

Alertas Aparentes Coincidências na Região do Búzi

Esta semana ocorreu-me reflectir um pouco sobre uma série de ataques estranhos na região centro do país que deve merecer uma atenção especial das autoridades devido a sua tipologia e coincidências conjunturais com a forma como evoluiu a situação que assistimos nos distritos à norte da também nortenha província de Cabo Delgado.

Quanto ao assunto em apreço, é facto assente registam ataques localizados em alguns distritos das províncias de Manica e Sofala protagonizados pela autodenominada Junta Militar da Renamo liderada pelo renegado General da Renamo, Mariano Nhongo.

O modus operandi deste grupo facínora consiste em ataques a viaturas, propriedade, e populações civis indefesas causando luto e destruição. Independentemente das reivindicações deste grupo, as suas acções são criminosas e, num estado de direito democrático que o nosso país pretende ser, devia ser punido e responsabilizado pelos seus actos.

À parte Nhongo, existe um outro grupo(s) que tem protagonizado ataques numa região circunscrita ao longo da região do distrito de Búzi. A acção de tal grupo ou grupos caracteriza-se por assalto a viaturas e populações locais em busca de alimentos e valores monetários. Tais homens não parecem ser integrantes do grupo Nhongo e não parecem também ser uns meros bandoleiros. As incursões deste grupo devem constituir um alerta para as autoridades governamentais ao nível central e do alto comando das Forças de Defesa e Segurança senão vejamos:

  1. O movimento deste grupo coincide as movimentações em curso na bacia do Búzi onde a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) tem estado envolvida em estudos sobre a ocorrência de petróleo;
  2. O movimento deste grupo(s) pode sinalizar interesses inconfessos de grupos de interesse com fins obscuros que futuramente poderá reclamar protagonismo ou reivindicar o controlo daquela região na possibilidade de um dia o Estado vier a investir na exploração deste hidrocarboneto;
  3. Parece haver um paralelismo com o padrão de movimentações iniciais aquando do início da pesquisa do gás na bacia do Rovuma. Populações e alguns líderes locais alertaram para a presença e circulação de grupos de vária índole, incluindo pretensos líderes religiosos locais e não só que abriam mesquitas com abordagens e interpretações radicais do Corão. A falta de acção rápida na compreensão destes movimentos com o recurso à Inteligência do Estado e de outras abordagens multidisciplinares auscultando as comunidades locais, levou à degeneração da situação na região desembocando na calamidade que é hoje conhecida.

Assim, é preciso prestar-se a devida atenção a estas movimentações que podem parecer simples coincidência, mas com o condão de criar situações calamitosas a curto, médio e longo prazos com consequências fracturantes para a unicidade do Estado, soberania e integridade territorial. Quem são? De onde são? Quais são as suas motivações? Quem são os cabecilhas? Quem está por detrás deles? Fontes de financiamento/logística? Quais são as suas formas de inserção na comunidade? Quais são as formas de recrutamento de novos integrantes?

Todos nós, colectivamente, como patriotas temos o dever de olhar para os fenómenos e determinadas dinâmicas para além do óbvio e do que parece ser! Temos que tirar lições dos nossos erros, no caso vertente para a província de Cabo Delgado.

 

 

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