Preto & Branco

Os grandes monstros de lazer Hotel Dom Carlos e Montel Estoril (1964-19749)

De um olhar protestante e mesmo com um olhar menos atento para com quem se faz pela via onde se localiza os grandes monstros de hotéis Dom Carlos e Montel Estoril construídos por, de mãos na cabeça e adoecidas de espanto das técnicas e a arquitetura aplicada na infra-estrutura, que acabou a se tornar inconsistente na sua estrutura, emerge uma sensação de que ambas infra-estruturas teria até data de hoje um, reconhecimento no mundo no que tange o seu potencial hoteleira e turística que poderia vir albergar estas antigas instâncias turísticas.

Ao longo da marginal na cidade da Beira, bairro de Macuti ambos monstros ombreando qualquer um que por ali transitar pode degustar a estonteante estrutura entregue a sua sorte e, acelerada degradação e para melhor saber dos contornos dessas infra-estruturas conversamos com um imbondeiro que deu sua juventude naquele lugar.

Trata-se de Domingos Guilas Safrão de 77 anos de idade, natural de Inhambane residente na cidade da Beira que disse a nossa reportagem que, a fonte começou a trabalhar no Estoril em Junho de 1964. Foi recrutado como carpinteiro para fazer manutenção e acompanhou, e participou em todos processos de construção do Hotel Dom Carlos.

Na altura o patrão (dono do hotel) não tinha tanta importância com clientes locais mas, com ingleses por exemplo durante as celebrações da Páscoa e, durante a quadra festiva que enchia até esgotar espaço para parquear caravanas porque, este lugar era hotel e acampamento turístico, o acampamento por sua vez estava dividido em três campos tais como: campo I, campo II e, campo III. A maioria de turísticas era oriundo de países da interland Zimbabwe, Zâmbia, África do Sul e, outros que vinham via aérea nesse grupo havia americanos.

Safrão alerta quando funcionava apenas Montel Estoril, este lugar não era considerado luxuoso como tal mas com a entrada em funcionamento do Hotel Dom Carlos ai tudo mudou era um hotel de cinco estrela e havia tapete vermelho.

A decadência deste lugar foi ditada pelo ataque que houve 1974, no Inchope onde o dono de ambos estabelecimentos convidou a todos uma reunião para explicar o seguinte “eu sou da industria hoteleira o meu negócio anda através da presença de turistas, como houve ataque na entrada da cidade da Beira quero vos pagar três meses adiantado vão aguardar em casa e depois irei vos chamar” ninguém de nós descobriu que tratava-se de uma mentira pois fomos chamados da obra ninguém havia pensado que foi uma farsa para evitar o pagamento da indeminização com a entrada da Frelimo pelo que como os meus dez anos de serviço e meu chefe com dezanove enquanto outros tinham dois ou três anos” explicou a fonte.

A fonte acrescenta ainda descrevendo como o sucedido deu do desaparecimento das instancias turísticas e “porque com a morte de Eduardo Mondlane o governo português devia entregar as colónias e, aqui em Moçambique os capitalistas disseram que iam reforçar a guerra, não havia espaço para tamanha “brincadeira”, salvo erro ele foi morto em 1969”, a intenção dos capitalistas era de defender os seus bens e não aceitaram render-se e no momento infelizmente não foi o que aconteceu porque tudo ficou estagnado, foi quando cada capitalista procurava formas de enganar seus trabalhadores para evitar o pagamento da indeminização pelo que foram tirados em 1974 antes da independência de Moçambique.

“Para mim com salário adiantado de três meses, deu para construir a casa pois o material era acessível, mas nunca mais fui chamado e havia rumores de que havia nova equipa de manutenção porque quando saímos só havia ficado um carpinteiro e sozinho não podia aguentar, mas não durou e o branco saiu foi embora”. Da recepção para hotel Dom Carlos havia um tapete vermelho e um dia a subgerente chamou me saía de um lugar de manutenção de rotina tendo dito senhor Domingos senta aqui, sabe que o vosso chefe morreu? Tendo perguntado chefe de quem? Chefe de “turas” tendo respondido nos seguintes termos: onde morre um chefe nasce outro chefe não pensa que vai parar a guerra de libertação nacional. Na era colonial os soldados da Frelimo eram chamados “Turas”, disse lamentavelmente.

A fonte contou nos que com a morte de Mondlane os capitalistas não suportavam as ofensivas e viram-se obrigados a entregar e com a morte de Mondlane pensava se que seria o fim sem saber que foi uma tentativa de “apagar o fogo pela gasolina”.

Importa referir que a nossa fonte trabalhou neste lugar entre 1964 -1974 antes da proclamação da independência.

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