Preto & Branco

“Todas Universidade foram acolhidas de surpresa pela Covid-19, tendo constituído uma oportunidade para usar as TICs”, afirma Baço porta voz da Uni Licungo na Beira

No âmbito da terceira volta do estado de emergência em Moçambique a universidades enfrentam grandes desafios na introdução de novas plataformas para dinamizar a interacção discentes ao corpo docente, embora estudantes portadores de deficiência visual não têm acesso ao material por falta de auxiliar neste processo para compreender melhor conversamos com Antonio Domingos Baço, porta-voz

A Universidade Uni Licungo da Beira surge no âmbito da restruturação da universidade Pedagógica da qual surgiram cinco novas universidades que são, universidade Rovuma com sede em Nampula, Universidade Pungue sede em Chimoio, Universidade Save em Gaza, universidade Pedagógica e a universidade Licungo com sede em Quelimane e tem faculdades em Sofala. Na Zambézia tem a faculdade de medicina, economia e gestão, faculdade de gestão e faculdade de ciências agrarias e em Sofala temos duas faculdades letras humanidades e ciências e tecnologias.

“Visa participar no projecto do governo de produção de ciência e formação de quadros superiores que sejam competentes em várias áreas científicas, por isso trabalhamos em várias áreas científicas, por exemplo: na área da educação, área das tecnologias. O magnífico reitor reforça a área da agricultura por estarmos situados no vale do Zambeze com um potencial produtivo muito grande, agricultura e pecuária”  por isso a universidade preocupa-se em formar quadros que dentro das suas competências podem agir nessas áreas, é claro que dentro destas áreas temos a educação e medicina que também é uma preocupação a nível local geográfico em termos de respostas e várias outras áreas das ciências humana de modo a responder a diversidade tanto do ambiente, cultural, questão social tendo em conta o espaço geográfico.

Actualmente, a universidade tem trinta e um (31) cursos e estes cursos estão distribuídos dentro da faculdade de ciências sociais e humanidades “aqui na Beira temos oito cursos, temos a faculdade de ciências e tecnologias que tem os cursos, de física, química, e geografia e a faculdade de educação tem o curso de psicologia social, psicologia organizacional, psicologia clinica, ensino básico, curso de agricultura, agro pecuária e curso de gestão de recursos humanos”, mencionou António Domingos Baço porta-voz da Uni-Licungo .

A maior parte dos cursos são clássicos de quatro anos de duracao com a excepção dos cursos de Direito que tem cinco anos e o curso de medicina que tem duração de seis anos, a maioria dos cursos de engenharia tem cinco anos, a variação da duração tem a ver com os grémios profissionais.

Contudo, a Covid-19 colocou na universidade um grande desafio que cinge no estabelecimento do contacto com o estudante particularmente quando foi decretado o estado de emergência e o confinamento. O primeiro desafio foi na identificação de tecnologias que devem ser usadas, o acesso do corpo docente como dos discentes, o acesso a internet.

“Com isso acabamos adoptando plataformas Google classroom, WhatsApp, e-mail, ZOOM, nesta fase estamos a adoptar o Google met ‘é um pouco mais leve e permite maior tempo mas ao longo deste período a universidade foi desenvolvendo plataformas de acesso gratuito tais como e-learning que se assemelha a plataforma que usamos no ensino a distancia, neste momento estamos a alocar discentes e docentes provavelmente nos próximos dias chegue a Beira, em Quelimane já esta em uso”, sublinhou a fonte.

Para além das tecnologias existentes, existe várias outras actividades relacionadas com a academia tais como a pesquisa, como realizar em segurança na sua maioria foram interrompidas pelo decreto, monografias, defesas de dissertação do mestrado enquanto não haver outros meios, “nós não estávamos preparados a semelhança de outras universidades em atender os nossos estudantes através de plataformas virtuais” salientou.

Questionado a cerca da duração do processo da organização da monografia e a defesa

António Baço respondeu nos seguintes termos, “em relação aos cursos em si por exemplo de quatro anos estabelece-se que o estudante defende ao longo deste período porque o ano lectivo termina em fevereiro normalmente até março todos estudantes deveriam ter defendido para quem terminou em 2019 até março de 2020 deveriam ter defendido quando prolonga e o regulamento diz que ele tem que se escrever porque já estará a frequentar outro semestre” explicou.

A monografia em si dentro do espaço académico ele decorre … desde o primeiro ano tem a cadeira de metodologia de investigação que ensina isso e no quarto ano tem outra cadeira chamada monografia ou trabalho de culminação de curso e essa disciplina na visão do porta-voz devia culminar com uma preparação de um tema para o exame do estado ou exame da conclusão do curso ou a própria monografia “Mas isso não tem acontecido muito em parte não sei se é pela inércia as vezes temos um grande numero de estudantes que adoptam o exame do estado acaba se prolongando para o quinto ano caso ocorrer fora o estudante é obrigado a fazer inscrição na disciplina ou na monografia”.

Quanto a relação entre docente e discente no âmbito do processo de preparo da monografia aparentemente tem sua demora   

 Neste aspecto tem dois cenários sendo o primeiro onde tem dentre as várias formas de culminação do curso mais predominantes e tem exame de conclusão chamado exame do estado e tem igualmente o exame de culminação chamado monografia.

O primeiro cenário é de estudantes que, quando entram na universidade para além da preocupação com as disciplinas já se preocupam com a culminação do curso já desenvolvem trabalhos, aliam-se aos professores, aliam-se aos centros de pesquisa e este é o cenário ideal porque quando chega no terceiro ano já tem um projecto maduro, já pode ser alocado um orientador e, quando termina o quarto ano já tem o trabalho pronto, este é o cenário ideal embora raramente acontece.

“Eu próprio lecciono a metodologia de investigação científica e trabalho de culminação do curso, no primeiro ano ensinamos os estudantes a fazer projecto quando chego no quarto ano nenhum estudante tem o projecto então eles adiam, não sei se está relacionado a um hábito, uma mentalidade que temos de deixar para o futuro, adiam sempre para o quinto ano e é neste quinto ano que querem resolver a monografia”, acrescentou.

A monografia não é algo que se faz em uma semana, nem em quinze dias, seis meses nem em um ano por isso deveria acompanhar o estudante desde o primeiro ano, para identificar a disciplina que o agrada, qual delas que lhe cria curiosidades, querer saber mais quais são as disciplinas que o encanta, que possa investigar e para definir pelo que até segundo ano este arranque não deve falhar e, caso contrario dificilmente terá a capacidade para defender.

Baço disse que não sabe se isto acontece porque estão preocupados com as notas das disciplinas, que quando termina o quarto ano é quando começa a pensar no que vai defender, então aí ele prejudica-se porquê ele termina em Dezembro a comunicação, dentro dos quatro anos teria a possibilidade de errar e rectificar mas isso não acontece, terminou o segundo semestre, vai de férias e festas do final do ano e volta em Fevereiro e diz que fez o projecto para ser apreciada, mas nesta altura o docente já não esta preocupado como os alunos que saíram mais sim empenhado com os que acabam de entrar no primeiro ano acaba sendo um grande entrave.

Em quase todos cursos tem havido um debate são poucos cursos em que o estudante defende correntemente “acho que é a metodologia usada pelos cursos mas em muitos cursos o estudante começa a pensar na monografia quando termina o quarto ano, isso prejudica a comunicação e qual é a primeira consequência disso é claro que num projecto quando lhe entrego vou exigir que o estudante leia sobre os textos mas e diz qual é o estudante que vai ler depois de terminar o quarto ano, isto constitui um entrave as vezes quando recomendo a leitura há um grupo de estudantes que procuram o docente e ele não aceita acabam migrando de orientador a orientador”, lamentou António Domingos Baço.

Entretanto, o trabalho do orientador não é substituir o estudante, é auxiliar o estudante se possível se notar que faltam leituras e indicar as leituras e não é fácil depois de quatro anos tirar tempo para ler ou fazer fichas de leitura.

Baço sustenta que ao longo do curso todos docentes pedem para fazer o fechamento das leituras, mas o estudante chega no quarto ano e não tem fichas do que leu ao longo da formação para lembrar se é complicado, a não que ele tenha uma cabeça superdotada.

“Eu acho que isso está ligado a cultura da leitura, este é um pensamento pessoal e não institucional, tomada de nota, a cultura de escrever”. Anualmente realiza-se evento científico que é obrigatório para os estudantes vulgo jornadas científicas entre agosto a Setembro onde obriga-se que todos estudantes do quarto ano apresentem os trabalhos que estão desenvolvendo relacionado a monografia e outros que apresentem projectos de pesquisas, os dados indicam que são os mesmos que defendem em tempo útil afinal as jornadas fazem parte ao processo de orientação mas aqueles que fazem deste período como se fosse de férias são os que depois trazem trabalho pronto.

O terceiro cenário o estudante não se preocupa, fica com a consciência tranquila de que pode conseguir de algum lugar, ao mercado de monografia e isso muita das vezes faz com que o estudante acreditar que a monografia não faz parte da sua actividade mas faz parte do seu poder de aquisição. Que implicações têm? “Quando o docente descobre que esta monografia é um plágio, ele não assina e o estudante assume que ele não quer que ele defende é um cenário que teremos que ver no futuro enquanto universidade como é que isso será tratado, temos muitos caso de licenciatura até de mestrado trabalhos já defendidos em algum lugar e isso atrasa o processo”.

Temos o quarto caso de estudantes que não se preocupam porque para ele diz que vai fazer o exame de estado, a orientação em muitos cursos tem sido na forma física e por e-mail em alguns casos como são presenciais muitos, prefere a forma física e  gostam  muito, tanto estudantes.

Importa referir que a universidade reconhece que há docentes que têm dificuldades pela sua experiência, pelo seu dia a dia tem dificuldades, ao longo do ano crescemos muito em termos de lidar com a orientação, o representante acredita que que em termos da formação temos praticamente hoje mais de noventa porcento do corpo docente com mestrado e alguns em processo de doutoramento e isso têm facilitado muito o processo de investigação sobre os processos de investigação temática tal como preconiza a lei do ensino superior.

Conforme a fonte a qualidade no corpo docente da universidade melhorou bastante por isso tem muita facilidade para orientar na pesquisa, falta institucionalizar e optimizar como os seus estudantes no dia-a-dia também seja relacionado com a pesquisa.

A universidade funciona nas três vertentes: o ensino; pesquisa e, extensão este é o tripé da universidade, se ensinam bem e pesquisam mal, fazem pouco trabalho social e divulgação de retorno e reconhecimento, conduz as sociedades, não tem valor na sociedade. “O que temos que fazer é envolver os estudantes nas pesquisas realizadas dentro da faculdade isso acontece em muitos curso falo da geografia, sociologia, como outros curso, fara com que o estudante pegue temas ao se envolver nesses trabalhos de pesquisa, mas temas que ele convive de pesquisa se tivermos cem por cento de professores que publique penso que vamos acelerar, o estudante vai ficar motivado”, frisou.

O que o estado de emergência significa em termos da calendarização da Universidade

Nesta universidade tive um momento presencial de pouca duração quando falava-se dos primeiros casos em Maputo e depois houve confinamento já vamos para o terceira fase. As turmas que ficaram prejudicadas foram do primeiro ano, presenciais na sua maioria teve pouco contacto com a universidade até não conhecem o espaço da universidade, nota que ano passado tivemos o ciclone IDAI que já havia condicionado em termos de espaço e quando chega a covid-19 estava a restruturar do ciclone.

A maioria dos estudantes vem do ensino médio, e conscientes da diferença de ambos estabelecimentos de ensino, tendo em conta a autonomia em relação aos estudos é maior mesmo os pais já não têm uma grande preocupação se o seu educando está a estudar ou não porque a responsabilidade é própria e a questão do auto eficácia do auto regulação na aprendizagem ela tem de ser maior eles podem se ressentir de isso grandemente.

Foi tudo de repente não houve espaço para nada foi anunciado numa quinta-feira e na segunda-feira já não havia aulas, o tempo de combinação não existiu ficou-se quinze dias para reagrupar as turmas usando a plataforma normalmente, dividiu-se em três blocos, na primeira semana frequentaram três disciplinas, dia 11 de maio começou o segundo bloco com outras três disciplinas e todos foram avaliados e isso deu a instituição a garantia e, com incremento do Ministério das Ciências e Tecnologias na bonificação de crédito para acesso a internet divulgou e cadastrou a todos estudantes para ter acesso.

“Depois dos exames aqui na Beira fizemos um pequeno levantamento para avaliara o nível percentual de aderência aos exames em muitas disciplinas tivemos cem porcento de adesão via plataforma em nenhuma disciplina tivemos a baixo de cinquenta porcento de adesão isso é um bom sinal, fizemos o exame normal e as recorrências via plataforma”, referiu o porta-voz.

Agora a instituição está preocupado com a avaliação de autorregulação para entender qual é o esforço para ler, estudar, mas em todas disciplinas resolvem as tarefas e enviam via plataforma enquanto outros ligam para reportar a dificuldade que tem para o acesso ao sistema.

Estudantes portadoras de deficiência visual estão impedidos de fazer parte deste e-learning embora a biblioteca da universidade tem estado a trabalhar arduamente para encontrar qualquer forma de incluir este universo neste processo no âmbito de confinamento social.

Adicionar comentário

Leave a Reply