Preto & Branco

Clubes, sindicato de jogadores e associação de treinadores iniciaram discussão para fixação de tectos salariais

Presidentes dos Clubes do Moçambola iniciaram, na última quarta-feira, 3 de Junho, com a Associação de Treinadores e Sindicato dos Jogadores, a discussão da questão da necessidade de fixação de tectos salariais a ser adoptados na maior prova do futebol nacional. Dentro de trinta dias, as partes voltarão a sentar-se à mesma mesa, após os representantes dos principais interessados (jogadores e treinadores) consultarem aos respectivos associados.

A iniciativa surgiu após a primeira reunião realizada em meados de Abril que definiu a redução dos salários na faixa dos 40 a 50% por cento, por conta do impacto da pandemia da Covid-19, que forçou a suspensão da prática da actividade desportiva em Moçambique.

Em representação dos clubes estiveram presentes os presidentes do Black Bulls, Juneid Lalgy, do Desportivo Maputo, Inácio Bernardo, do Ferroviário de Maputo, Teodomiro Ângelo, do Costa do Sol, Jeremias da Costa, este último foi o porta-voz dos clubes e referiu que a discussão deste tema é crucial para a continuidade da alta competição, bem como para a sustentabilidade dos clubes.

“Os clubes colocam a necessidade de haver uma definição quer de um salário mínimo quer de um salário máximo dadas as dificuldades com que as colectividades estão a  passar neste momento, não há fontes de receitas seguras e para evitar o colapso do futebol os presidentes entenderam que deveriam reunir-se com os seus parceiros para encontrar uma solução, nem que não seja de implementação imediata mas já possamos pensar na próxima época”, disse Jeremias da Costa.

Proposta para jogadores responsabilizarem-se pelo pagamento de INSS

Neste encontro foi discutido se os salários devem ser pagos por época desportiva ou anuidade e Jeremias da Costa revelou que a abordagem deste tema é pertinente visto que “a Lei do Desporto define que os contratos nesta área devem ser feitos por época desportiva, mas o que se percebe é que há um entendimento que à época desportiva é igual ao ano civil, por isso estamos a tentar encontrar um consenso sobre este aspecto, sabendo que na Europa a época desportiva parte da data que inicia o campeonato, não na pré-época, até a data que termina a prova, e os contratos são feitos e remunerados dentro desta perspectiva”.

As obrigações dos jogadores para com o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) foi também tema abordado neste encontro com os clubes a querem atirar a responsabilidade desta contribuição para os jogadores e treinadores.

“Os jogadores nunca sentem este peso e queremos que passem a descontar eles próprios da sua remuneração os impostos relativos ao INSS e outros relacionados com os seus rendimentos”, justificou o Presidente do Costa do Sol que foi o porta-voz dos presidentes dos clubes presentes nesta reunião.

 

Sindicato de Jogadores vai abordar o tema em Assembleia Geral por agendar

O Sindicato Nacional dos Jogadores de Futebol considerou que esta proposta deve ser analisada com a devida profundidade pelos atletas, e foi assumida pela Associação dos Treinadores de Futebol.

Para Ezequiel Muanduapez, do Sindicato, estas propostas defendem “acima de tudo os interesses dos clubes e, obviamente, compreendemos que estamos numa fase sensível e conjetural, mas é importante ter em conta que toda e qualquer decisão terá um impacto muito negativo no seio dos jogadores de futebol”.

Muanduapez referiu que a “questão da definição de um regulamento ficando tectos salariais é muito sensível e precisamos levá-la à discussão em fórum próprio junto aos jogadores e é importante partilhar a proposta dos clubes, ouvir a posição dos jogadores e posicionarmo-nos em função daquilo que for o resultado das discussões que forem levadas a cabo”

 

É nessa perspectiva que o Sindicato Nacional dos Jogadores de Futebol projecta realizar a breve trecho uma assembleia geral na qual serão discutidas estas e outras questões que afligem a classe dos futebolistas.

 

 

Frederico dos Santos, da Associação Moçambicana de Treinadores de Futebol, considerou este debate de “saudável e só peca por ser tardio”, visto que as propostas em discussão “visam melhorar a produção do futebol, a forma como o treinador e os jogadores são tratados e desenhar um futuro risonho” para todos envolvidos nesta modalidade.

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