Preto & Branco

Sobre as incongruências dos nossos representantes e dirigentes

Esta semana dois episódios marcaram-me pela negativa. O primeiro está relacionado com argumentos esgrimidos durante o programa televisivo “Pontos de Vista “ exibido pelo canal de televisão STV. O moderador questionava sobre a racionalidade dos chamados subsídios de reintegração dos deputados e dos outros que se intitulam de ‘altos dirigentes do estado’. Os comentadores que são representantes das três formações políticas com assento parlamentar mostraram uma unanimidade e postura repugnantes como sempre quando se trata de assuntos que beneficiam os seus umbigos.

A arrogância com que o deputado António Muchanga (da Renamo) expressou a ‘legitimidade’ do subsídio de reintegração é de bradar os céus. Referiu que comparado com os outros parlamentos o que ganham é uma ninharia (suas palavras). Isto é uma aberração! A questão dos subsídios e regalias para os que se auto-intitulam de ‘(des) representantes do povo’ ´uma questão antiga que levanta até questões de moral. Alguém que é eleito para servir de canal entre os anseios do povo, a quem deveria representar, e o governo quando termina o seu mandato deve ser reintegrado? Onde? Por onde andou durante cinco anos? Não estratosfera? Se vai ser reintegrado, logo não esteve o serviço de quem o elegeu. Viveu durante cinco anos noutra galáxia desfrutando do luxo, engordando o rabo e barriga! Na verdade nesta pérola do Índico, ser-se deputado, ministro, etc. não é nada mais nada menos que o meio para resolver questões materiais básicas…é a bolada para acumular e dar um chute a pobreza. Quais representantes do povo qual carapuça! Há deputados que passam cinco anos sem nunca terem aberto a boca, limitando a bater palmas ou a ulular em sons esganiçados! Porém, quando se trata de assuntos estruturantes da nação em debate, distraem-nos com o seu simulacro de defensores dos interesses do povo! A vossa carapaça caiu há muito! Poupem-nos da vossa figura triste!

O segundo episódio triste da semana foi protagonizado pelo Secretário de Estado da Juventude e Emprego. Este dirigente já começa a habituar-nos pela sua falta de lógica e coerência na abordagem pública de assuntos ligados ao seu portfólio. Numa passagem durante o telejornal pediu mão dura da polícia sobre os ‘jovens’ que não respeitam o estado de emergência e continuam aglomerados a consumir bebidas alcoólicas. Quem o ouviu e não o conhece, podia pensar que se trata de alguém recentemente naturalizado moçambicano e que viveu toda na vida na Escandinávia. A juventude que nós temos, as suas características e (des)características, desobediência, malcriadez, deprimida, arrogante, sem norte, etc. são o reflexo da sociedade doentia em fase terminal que temos resultante da ausência de politicas e estratégias claras e assertivas para lidar com os seus anseios e problemas. A rebeldia da juventude e a desobediência resulta da falta de oportunidades, de exclusão, marginalização a que a maioria está votada. Sem querer defender os que violam as regras impostas pelo Estado de Emergência, impõe-se coerência e razoabilidade na aplicação da lei. Mão dura? Para quem? Para os qua acordam as 3 da matina para apanhar o My Love para tentar phandar alguma coisa para a sua família? Mão dura para a juventude frustrada e já alcoólatra resultante do desespero e desencanto com a vida? Mão dura nos bairros suburbanos onde vivem filhos de operários e camponeses enquanto nos ‘gated communities’ do burgo de resvalam em churrascos com familiares e amigos bebendo do bom Moet & Chandon e dos Whiskies mais refinados? Mão dura para os que estão a phandar na baixa, Xikelene, Magoanine (praça da juventude – exemplo claro do que é a juventude em Moçambique: decadente e degradada) quando dirigentes do estado organizam festas e a UIR se faz presente e encolhe o rabo? Este Secretário de Estado, devia reflectir sobre os factores, as causas estruturais que levam a que tenhamos jovens desobedientes e degradados de ponto de vista de valores; o que fazer, como fazer? Com que meios ou recursos? Se precisar de ajuda, diga…..o ajudaremos para que não continue a fazer figura triste!

 


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