Preto & Branco

Para satisfação de seus egos: Nyusi acusa elites de patrocinar guerra

O Presidente da República, Filipe Nyusi, considera que existem figuras de elite, interna e externa, no patrocínio da violência armada no país, mormente em Cabo Delgado, província hospedeira de uma das maiores reservas de gás mundial. No entanto, na ofensiva das FDS contra os insurgentes, a Amnistia Internacional pede ao Governo para proteger a população civil.

De forma efusiva, o Chefe do Estado Moçambique, Filipe Nyusi, referindo-se aos ataques armados no norte do país, disse que os moçambicanos não tolerarão de forma repetida a chantagem da guerra cíclica, “movida por grupos de indivíduos manipulados para sustentar o ego das elites internas e externas”.

Se debruçando publicamente, em discurso de lançamento das comemorações dos 45 anos da independência, na segunda-feira, (1 de Junho) frisou que “os moçambicanos jamais permitirão que Moçambique seja dividido para satisfazer os interesses de invasores de qualquer origem e natureza”.

O estadista apelou ao reforço da unidade nacional para que o país consiga lidar com os ataques terroristas em Cabo Delgado, os ataques armados em Manica e Sofala, e a pandemia da Covid-19, doença que classificou como um “inimigo imediato”.

“O reajustamento das nossas acções face aos desafios da actualidade não nos exime da necessidade de reforçarmos ainda mais a unidade nacional. Defendemos incondicionalmente a paz e o desenvolvimento”, vincou o PR..

Amnistia pede Protecção de civis

As declarações de Filipe Nyusi surgem na sequência dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e grupos terroristas na província norte de Cabo Delgado, que estão a intensificar-se desde Março do corrente ano, sendo que os principais afectados são as populações locais.

Neste contexto, a Amnistia Internacional apelou às forças governamentais para “proteger os civis enquanto realizam operações contra grupos armados em Cabo Delgado”. Num comunicado institucional, a organização de defesa dos direitos humanos sublinhou que “as forças de segurança não devem usar as operações para se vingar dos ataques, atingindo residentes, mas para garantir que o grupo armado é responsabilizado por crimes contra o Direito internacional e violações de direitos humanos.

De acordo com o director da Amnistia Internacional para a África Oriental e Austral, Deprose Muchena, citado no comunicado em alusão,  “o povo de Cabo Delgado tem sido vítima de uma violência horrível”.

 

 

 

 

Nos cabecilhas abatidos em Cabo Delgado

Terrorista procurado em três países

Em mais uma ofensiva para o desmembramento e aniquilamento do grupo terrorista que assola Cabo delgado, passam dois anos, cerca de 80 insurgentes foram abatidos, dentre os quais dois comandantes, um dos quais era procurado por acções terroristas na Tanzânia, República Democrática do Congo e Quénia.

Depois de os insurgentes terem passeado sua “classe”, por três dias, no distrito de Macomia, foram acossados militarmente pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS), dos quais 78 foram abatidos e dezenas feridos, segundo fontes governamentais.

Em intervenção pública, no domingo último, o ministro da Defesa Nacional, Jaime Neto, vincou que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) abateram 78 terroristas e feriram outros 60, desalojando o grupo de insurgentes que desde quinta-feira a Sábado estavam a fazer desfeitas naquele distrito.

 

O ministro da Defesa revelou que dos terroristas abatidos constam dois cabecilhas de nacionalidade tanzaniana, um deles conhecido por Njorogue, que desde o início das incursões terroristas em 2017 esteve na vanguarda.

“Nesta contraofensiva, foram abatidos dois principais chefes. Consta que o Njorogue foi aquele que iniciou com os ataques a Mocímboa da Praia no dia 05 de outubro de 2017”, afirmou o governante.

As forças governamentais apreenderam diversos materiais com os atacantes, incluindo viaturas, motocicletas, bicicletas e outros bens roubados da população. Depois da expulsão dos terroristas de Macomia, as FDS continuam a procurar pelos insurgentes para identificar as suas bases.

 

Segundo apuramos, este terrorista tratado por Nyorogue ou Ndrorongue  e procurado por autoridades de três países, a começar pelo seu próprio país natal a Tanzânia, estendendo-se a procuração por Quénia e República Democrática do Congo (RDC)

 

Nestes paises é acusado de envolvimento em vários ataques terroristas, desde a sua eclosão em Agosto de 1998, quando dois militantes explodiram um camião-bomba em frente à embaixada dos Estados Unidos da América na capital queniana, Nairobi e Nove minutos depois uma outra bomba junto à embaixada norte-americana em Dar es Salaam, na vizinha Tanzânia. Ataques estes que causaram 242 mortes, sobretudo em Nairobi, onde a força da explosão destruiu a fachada da embaixada e fez com que uma casa nas imediações desabasse.

Estes foram os rastilhos para ataques terroristas nesta região africana, sob a égide da famigerada Al-Qaeda. Pois depois de alvos norte-americanos, os terroristas virarm-se para alvos internos, a exemplo dos ataques no Centro Comercial Westgate, em Nairobi, em 2013, e na Universidade de Garissa, em 2015. Enquanto os primeiros ataques se dirigiam explicitamente a alvos ocidentais, como as embaixadas, agora é a população local que é cada vez mais visada.

Foi quando os atacantes em vez das unidades da Al-Qaeda pequenas, que viajavam pela região para realizar os ataques, constituíram-se grupos mais ancorados na população.

E segundo especialistas, as más condições económicas influenciam o recrutamento muito mais do que o fundamentalismo político ou religioso. E os tentáculos foram-se expandindo por outros países da região, sendo neste contexto, que Moçambique desde 2017, torna-se novo alvo, sendo Njorogue, um dos integrantes do grupo que inicia com as acções terroristas no território moçambicano, quando acossados naqueles países, criando-se grupo semi-autónomos de incursão terrorista.

 

Os rastos dos terroristas em Macomia

O grupo de insurgentes que atacou e ocupou a sede de Macomia, na quinta-feira (dia 28), deixou a vila na noite de Sábado (dia 30), após controlar por três dias o principal centro urbano da região centro e norte de Cabo Delgado, deixando um rasto de destruição.

Segundo a Voz da América relatos da população descrevem um cenário de guerra e destruição de infraestruturas públicas e comércio, além da “paralisação total” da vida dos moradores durante o período de ocupação do grupo de jovens jihadistas, localmente conhecidos por al-shaabab.

“Hoje (domingo) de manhã as pessoas começaram a ir espreitar a vila. Esta tudo destruído”, contou à VOA um morador que se identificou por Salimo, descrevendo um misto de “choros e silêncio assustador” nos bairros.

Um outro morador, que junto com Salimo, procurava por familiares de que se separaram durante a fuga na quinta-feira, conta que alguns lugares da vila estão “irreconhecíveis”.

“O mercado principal está todo destruído, reduzido a cinzas. Tem muitas casas com perfurações de balas”, disse o morador, acrescentando que “não sabemos se há pessoas que morreram dentro destas casas”.

Até ao principio da tarde de domingo continuava a haver pouca informação para avaliar os estragos da invasão a vila sede de Macomia, o principal centro urbano onde corta a estrada asfaltada que liga aos distritos mais a norte de Cabo Delegado e a vizinha Republica da Tanzânia.

Na sexta-feira, segundo várias fontes locais, os insurgentes teriam saqueado a agência bancária do BCI e sabotado as torres de telecomunicações e a subestação de Macomia, deixando sem comunicação e as escuras os distritos mais a norte de Cabo Delegado.

Entretanto, 35 crianças, de diferentes famílias, que fugiram dos ataques a vila de Macomia, chegaram a Pemba no sábado e foram acolhidas numa escola do bairro Cariacó, nos arredores da baia.

Segundo relatam as crianças, que fugiram da invasão dos insurgentes, caminharam a pé durante dois dias pela mata até chegar a aldeia de Mitambo.

Desta aldeia voltaram a caminhar pela estrada até a aldeia Moja, quando foram socorridos por um condutor duma camionete para Pemba.

Um morador do bairro Cariacó, que avistou as crianças na manhã deste domingo, contou à VOA, que as crianças estavam “visivelmente traumatizadas” e que relataram terem visto um número muito maior de insurgentes durante a invasão.

As autoridades estão a trabalhar na identificação das crianças, para posterior reencaminhamento das famílias.

Contudo, as autoridades moçambicanas afirmam que o distrito de Macomia, na província nortenha de Cabo Delgado, tende a voltar à normalidade depois da tempestade terrorista por aquelas paragens.

“A nossa força neste momento vai trabalhar dia e noite para perseguir principalmente aqueles cabecilhas. Vamos também fazer a limpeza dos lugares onde eventualmente encontram-se escondidos”, asseverou o ministro da Defesa.

Sobre esta última investida das forças moçambicanas, que actuam com apoio de outros países, o Presidente da República, Filipe Nyusi, considerou que “as últimas batalhas que foram travadas pelas Forças de Defesa e Segurança foram enormes, foram muito produtivas. O esforço sempre é compreender quem é o inimigo e como está a operar. Estamos a aprender como lidar com essa força e estamos a encorajar a maneira como as FDS estão a abordá-la”, referiu.

 

Oportunismo Popular

O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, em comunicaçao á imprensa no domingo último revelou que alguns populares que regressaram das matas onde se refugiaram partiram para a vandalização de bens alheios.

“Por serem os primeiros a chegar na vila, estão a criar um oportunismo negativo, que é o furto de bens das famílias que ainda não chegaram à vila. Por causa disso, nós queremos apelar à nossa população para que haja ordem, disciplina e, para que no seu regresso, não estejam a criar vandalismo nas outras residências”, disse.

Na sua comunicação, Valige Tauabo admitiu que os malfeitores estão a impedir o desenvolvimento da província. A eletricidade e as comunicações móveis ficaram afetadas nalguns distritos do norte de Cabo Delgado. As autoridades falam de vandalização pelos grupos armados. Uma situação cuja resolução poderá ser para breve, conforme referiu o chefe do conselho executivo provincial.

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