Preto & Branco

Solidariedade com a Dor do Primeiro Mundo

A propósito da morte de XXX asfixiado por um polícia durante uma operação de detenção em Mineápolis, cidade do estado de Minnesota nos Estados Unidos da América gerou onda de revolta e repulsa um pouco por todo o mundo pela forma como aconteceu e o perfil racial da vítima. Este assassinato levanta um antigo problema histórico de racismo e segregação dos afro-americanos na sociedade americana.

O que queria ressalvar é o espírito de solidariedade manifestada pelos nossos compatriotas moçambicanos nas redes sociais. Isto traz-me à memória os ataques terroristas ao teatro Bataclan e ao jornal caricaturista Charlie Hebdo ambos em Paris. Cá no burgo, as redes sociais focaram inundadas por mensagens e perfis com fundo negros em que se podia ler: je suis Paris, je suis Charles Hebdo. Houve uma grande comoção cá no burgo

Isto leva-me a uma reflexão: quando se tratam de casos de terrorismo no ocidente, no primeiro mundo, a mentalidade colonial, os traumas da colonização que penetraram no substrato cultural e que vão-se transmitindo de geração para geração, os africanos são solidários, sofrem a dor, sentem-na alma, no tutano.

Quando o terror é cá entre nós, não se vêm tais manifestações solidárias de repúdio e a exigir o seu rápido esclarecimento e responsabilização. Quando o Al-Shabab ataca na Somália, no Quénia, etc., raramente ou quase nunca se vêm tais manifestações de solidariedade. Cá entre nós nunca vi nas redes sociais: je suis Muidumbe; je suis Macomia; je suis Mocímboa, je suis Nanagade; je suis Metuge.

Quando a dor atinge a nós, não expressamos a nossa solidariedade na mesma proporção ou dimensão…somos snobs para connosco mesmos…desprezamo-nos. Somos sensíveis quando a dor vem do primeiro mundo. O colonialismo/colonização afectou-nos a ponto de gerar uma repulsa colectiva de nós próprios. A dor de africanos não nos atinge, só a dos outros ditos desenvolvidos que tanto ontem como hoje continuam dominando os nossos destinos. Porquê será? Na próxima semana, vou avançar com algumas hipóteses.

 

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