Preto & Branco

Ser músico em Moçambique não é fácil, adverte Deltino Guerreiro

O musico moçambicano Deltino Guerreiro que expressa seus sentimentos em géneros musicais diversos advertiu a nossa reportagem que viver da musica para ele não é fácil e acrescentando que é bom que se trabalhe numa área em que o individuo ama, não obstante da existência de obstáculos de varia índole mesmo na ausência estrutural para levar avante a sua agenda.

Deltino Guerreiro de vinte e nove (29) anos de idade, natural da província de Cabo Delgado Economista e músico desde criança familiarizou-se com um ambiente da machamba para ajudar seus avós.

O conceituado artista afirma ser complicado dizer quando começou a carreira musical porque tudo começou na brincadeira salvo erro aos cinco (5) anos de idade, mas tarde mudou para Nampula quando tinha doze (12) anos de idade continuava na brincadeira, mas aos dezassete (17) anos de idade começou a levar tudo a sério e aos vinte e cinco (25) anos de idade alcançou o estagio profissionais.

Guerreiro tem uma diversidade de mensagens nos seus temas com foco para intervenção social, educativas, amor. Um aspecto importante o amor não se refere a vida á dois mas sim o amor ao próximo, pela natureza, criação, amor pelas coisas faz menção a sua própria experiência e, de outras pessoas.

“Ser musico em Moçambique não é fácil, não posso dizer que é fácil, mas também depende de nós mesmos tendo em conta de que estamos a procurar e o que queremos alcançar. Para mim é maravilhoso quando trabalhas numa área em que tu amas apesar da existência de obstáculos de varia índole mesmo na ausência estrutural para levar avante a sua agenda, mas se possui a ferramenta “amor” vale a pena e com tempo torna-se menos complicado ainda”.

Licenciado em Economia, mas não está a exercer, vive apenas de musica é verdade que a sua formação tem contribuído na gestão do processo de produção e divulgação da musica que faz e, desde 2015 vive da musica.

No âmbito da Covid-19 e consequentemente Estado de Emergência as áreas culturais e turismo foram afectadas exigindo outra dinâmica e/ou reinventar tudo numa época difícil, não podem fazer o nosso trabalho da melhor forma porque a musica é mais contacto, são pessoas, lidar com o publico e, esse é o   dilema para vencer ficar longe das pessoas. “Estou consciente que estamos a trabalhar fazendo concertos “Lives” mas acho que precisamos de mais criando plataforma em que as pessoas facilmente possam pagar os direitos autorais do artista, o direito de alistar e fazer um Live. Estamos a falar da sociedade moçambicana em que era digital chegou, mas ainda não somos capazes de aceder pois a maioria não usa “smartphone”, somos poucos munidos e capacitados para mexer com as tecnologias (TICs) o que dificulta cada vez mais a divulgação e rentabilizar os “lives” a maioria são patrocinados sim mas a questão é como o artista poder cobrar não importa o preço como tal mas algo simbólico isso nos falta.  Não nos esquecemo-nos de que somos “pobres” na educação, economia pelo que temos que saber que determinadas matérias podem ser complexas sendo imperioso facilitar a vida das pessoas”.

Tem estado empenhado como activista social sensibilizou na sua língua local Macua, trabalhou com o Ministério da cultura em parceria com a Galeria usando a musica, narração dando depoimento sempre que pode tem lembrado a sociedade para ficar em casa e prevenir-se da covid-19. Neste momento faz parte de uma campanha que irá usar a sua imagem, tem feito muito coisas a semelhança dos seus colegas, nenhum artista que esta fora deste processo.

Guerreiro é membro da associação de músicos moçambicanos, lamenta o facto de não poder pagar cotas com regularidade.  Notabilizou-se com o tema Sonho e, para assistir o musico em Moçambique devia haver o patrocínio   já que não existe esta plataforma de pagamento on line.

“O meu sonho é de entre dez músicos africanos o meu nome não faltar, tenho um disco já editado e, estava para lançar o segundo, mas com crise humanitária global tudo parou. Tenho tido apoio familiar moral e no inicio da careira até tive apoio financeiro, mas com profissionalização pago as minhas contas gozando das “almofadinhas” da família”.

Tendo conquistado vários prémios ao longo da sua carreira de entre os quais: Ngoma 2015 premio revelação; Ngoma 2016 melhor voz: Fez parte African Voice 2016 foi um concurso realizado pela CNN, ganhou premio Mozal em 2019 melhor artista.

Tem admiração de outros músicos tais como: Lokua Kanza, Toto st, Djavan, Jorge Vercélio, Fela Kuti e muitos outros que não foram mencionados aqui, sobre tudo a criação, a natureza, tem passado tempos livres a fazer exercícios físicos, tocando, compondo já fechou o álbum mas a inspiração incomoda, vendo Lives dos seus colegas Ubakka, Guyzel agora por exemplo o Valdemiro José está a fazer uma coisa bonita no âmbito da Arte no Quintal.

“Estreei o meu trabalho intitulado Amor se Paga e tenho tido bom feedback, tenho o segundo álbum parado devido os efeitos da covid-19”.

Para terminar Guerreiro disse não tinha fãs, mas sim admiradores pois este termo para nossa realidade é complicado na sua opinião, as pessoas devem investir na educação, Deus em primeiro lugar e que pense muito da sabedoria divina, quando digo educação não me refiro a instrução (Escola) mas sim respeito pelo outro (berço) como se dirige ao outro é digno? É com respeito, quando estamos próximo de um idoso carregando sua bagagem tu consegues ajudar? Quando é visível que o vizinho precisa de ajuda podes ajudar? Refiro me a este tipo de educação. Esta é a mensagem que quero deixar para os que admiram o meu trabalho e apoiam porque é importante primeiro gostarmos de nós.

 

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