Preto & Branco

“Celebrações do dia de África ocorrem em meio conflito”, lamenta Ossufo Momade

Celebrou-se na última segunda-feira (25) de Maio em todo continente o dia de África, continente este que durante séculos foi vítima do colonialismo, escravatura e de empobrecimento, através da pilhagem e saque de riquezas naturais.  África libertou-se desses flagelos praticados por estrangeiros e contudo, verifica-se, com tristeza, que a maior parte dos líderes e movimentos e percursos das independências, tornaram-se os novos opressores dos seus próprios povos, déspotas e ditadores.

Muitos dos países de África têm independências cinquentenárias e outros caminham largamente para esse marco, como o nosso. Todavia, volvido este tempo, em muitos dos países do continente africano, longe de ver o continente em franco desenvolvimento, harmonia social e aceitar a convivência plural, assiste-se flagrantes violações dos direitos humanos, negação dos valores democráticos, má gestão da coisa pública, má governação, ausência de um sistema eficiente de Saúde e Educação, difícil acesso aos bens e serviços básicos como a água potável, energia, o transporte condigno e outras condições materiais e espirituais que proporcionam o bem-estar dos cidadãos.

O Presidente da Renamo Ossufo Momad disse numa conferência de imprensa por ocasião da passagem da efeméride que mais do que celebrar os 57 anos da criação da Organização da Unidade Africana, OUA, predecessora da actual União Africana, UA, “é o nosso entendimento que os Líderes africanos da actualidade são chamados a eleger filosofias e políticas sectoriais de governação que catapultem as nossas economias e permitam uma África democratizada”, enfatizou Ossufo Momad presidente da Renamo.

Ossufo Momad acrescentou da riqueza que este continente possui tendo destacado como é o caso dos recursos minerais, marinhos, faunísticos e florestais abundantes nesta face da terra, mas nem por isso são desenvolvidos, chegando-se à caótica situação de viver-se com menos de um dólar, por dia, quando os rubis, diamantes, petróleo, gás, carvão mineral e outros minérios servem para satisfazer os interesses dos dirigentes.

Portanto, o dirigente do maior partido da oposição, advertiu que o manancial de recursos não é usado para acabar a pobreza e a miséria nas nossas nações, razoa pela qual milhares de concidadãos africanos preferem, com todos riscos, escalar outros continentes através da imigração ilegal que acabam em mortes, como temos assistido na travessia do mar mediterrâneo.

“Por outro lado, África continua a ver seus filhos morrendo, nos seus países, por causa de uma simples malária, tuberculose, meningite, ébola, subnutrição ou outras enfermidades”, disse.

Nesta ocasião, um dos ganhos mais recentes da humanidade e de África, em particular, foi o fim da guerra fria. É neste diapasão que muitos países do continente, incluindo os da nossa região, SADC, embarcaram pelo caminho da democracia que tem como principal pressuposto a eleição genuína dos governantes e o respeito pelo voto popular.

Importa referir que Ossufo Momad apontou a falta de politicas de governação adequadas, traduzidas na satisfação de interesses particulares, que em caracterizado o modelo de gestão pública de muitos Líderes contemporâneos. E na sua opinião, esta maneira de ser e estar prejudica substancialmente o desenvolvimento económico de África e mina a harmonia social dos nossos Estados.

Falando por ocasião do dia de África o presidente da Renamo sublinhou que é o momento de virar esta página comportamental e aliviar o sofrimento dos povos e que a África não pode continuar a ser referência mundial pelas piores causas como a corrupção, o nepotismo, clientelismo, a violência e fraude eleitorais.

África deve destacar-se e afirmar-se no concerto das nações como exemplo de humanismo, boa governação e aversão total à corrupção, pois quando África combateu o colonialismo e a escravatura foi para gozar em plenitude as liberdades e os direitos fundamentais, bem como ser dono do seu destino que deve ter como epicentro o respeito da pessoa humana e satisfação das suas necessidades básicas.

E quanto aos Líderes da região da África Austral, em particular, espera-se um compromisso firme para com a democracia multipartidária e assim, é no mínimo estranho que o apadrinhamento às fraudes eleitorais seja a maneira de ser e estar de muitos Líderes Africanos e as suas reuniões pareçam constituir um clube de amigos para se auto-protegerem e tomar chás e cafés.

“ É o momento de perceberem e tomar consciência que legitimar um governo ilegítimo é crime contra os povos, pois estrangula a sua vontade e por outro lado é assassinar os princípios mais básicos de um Estado de Direito Democrático e moderno. A perpetuação destes males é a principal causa da desarmonia social e da falta de políticas sustentáveis de governação. Chegou a hora de desenvolver a nossa África, chegou o momento da África merecer Líderes íntegros, sob risco de termos uma África eternamente falhada. É altura dos africanos beneficiarem-se das suas independências, porque só assim, terá valido a pena expurgar o colonialismo, a escravatura e estaremos a valorizar os ideias dos que lutaram por esta África como é o caso de Nelson Mandela, que mostrou com exemplo que a ideia de dirigente vitalício não deve ser prática”, realçou Ossufo Momad.

E face a pandemia que já registou um óbito em Moçambique e o pronunciamento do Ministro de Saúde alegadamente os túneis estarem a constituir um risco a saúde pública por não estarem a fazer nada, Ossufo Momad colocou uma questão “até quando este governo é sério e responsável, sabido que os túneis inaugurados por Agentes do Estado, como por exemplo os Secretários de Estado e os Presidentes de Municípios? E será que a mensagem que se pretende transmitir ‘e que antes da sua instalação em vários lugares públicos, como nos mercados, instituições públicas, como na Assembleia da República não houve um estudo cauteloso e científico?”, questionou.

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