Preto & Branco

As empresas moçambicanas precisam se reinventar face a Covid-19

A pandemia da covid-19 veio colocar desafios no sector do capital humano e no universo dos negócios e no ramo dos Recursos Humanos (RH) e na base desta ameaça, os profissionais deste ramo de actuação têm a obrigação de se reinventar para lidar com a pandemia da covid-19 e apoiar as empresas neste contexto.

No circuito do papel dos RH no âmbito da pandemia da covid-19 novo coronavírus o Director do Capital Humano e Formação no BancABC Samuel Maputso frisou que os profissionais desta área face a novas ameaças do surto têm um papel preponderante nesta crise destacando para: ajuda aos colaboradores com informação sobre coronavírus, como ela se transmite e como se prevenir da doença porque, as vezes veicula mensagens nas redes sociais que contradizem as informações das autoridades de saúde; os RH têm a responsabilidade de assegurar aos colaboradores se tem as informações fidedignas sobre o vírus e a sua transmissão e assim como da sua prevenção; os RH têm o papel de ajudar as empresas a implementar as medidas para prevenção ou redução do risco de contaminação no local de trabalho garantindo o distanciamento social; suspensão de formações presenciais justamente para garantir o distanciamento social; investir nas formações online e as respectivas reuniões podendo usar as plataformas digitais.

É da responsabilidade dos profissionais desta área de ajudar a empresa a ver quais as plataformas que a instituição pode ser mais eficaz de usar tendo em conta o tamanho da empresa tanto para as reuniões regulares e assim para a comunicação normal dos colaboradores durante o trabalho e para as formações e que as pessoas devem trabalhar a partir do escritório garantindo o uso das máscaras.

“Se trabalham em área de manuseio de dinheiro as pessoas devem usar luvas e para além dessas pessoas, o trabalhador não pode usar a luva durante a contagem de dinheiro e depois abrir a porta do estabelecimento com a mesma luva porque se o dinheiro estiver contaminado vai passar o vírus a maçaneta da porta e a próxima pessoa ficará contaminado” recomendou Samuel Maputso.

Segundo Samuel Maputso face a este momento que abala o mundo, o profissional de RH tem a responsabilidade de prestar apoio psicológico aos colaboradores pois a pandemia de coronavírus é assustadora e neste período é mais assustador do que HIV porque só o facto de algum ter o conhecimento de que outra pessoa teve contacto com uma pessoa contaminada gera medo dos colaboradores e os mesmos devem ter a orientação sobre o trabalho no âmbito da covid-19. Maputso acrescenta ainda que os colaboradores que por sinal estejam em quarentena por outra razão precisam de apoio e o conforto que o trabalhador que tem com a empresa garante a comunicação organizacional e isso dá uma repercussão positiva.

Ainda na linha do papel dos RH, os profissionais desta área devem ajudar as empresas o que fazer para reduzir o risco de contaminação dos seus clientes e para aquelas empresas que visa vender produtos se é possível fazer entrega ao domicílio melhor ainda.

Como decorre a actividade de teletrabalho?

Geralmente nessa pandemia, muitas pessoas pensam que assim que chegou essa ameaça todo mundo vai trabalhar a partir de casa mas não necessariamente assim, há muitos desafios neste aspecto de trabalho, primeiro é preciso ajudar a empresa a edificar a quais são os trabalhadores que pela natureza do seu trabalho podem trabalhar a partir de casa e quem são os que não permitem que trabalhem na mesma vertente.

“Há uma área da empresa que o seu trabalho exige um determinado sistema informático que não podem ser instalado nos computadores pessoais e nem levar para casa e essas pessoas automaticamente tem que vir ao escritório mas, aqueles que podem fazer o seu trabalho a partir dos seus computadores, essas pessoas podem trabalhar a partir de casa e mesmo aqueles que não é possível trabalhar a partir de casa é preciso que se faça o esquema de turnos (rotatividade) ”, explicou Samuel Maputso no prisma de trabalho a partir de casa.

No seu ponto de vista Samuel Maputso existem factores que condicionam um bom trabalho saudável a partir de casa que um dos factores seria “primeiro a pessoa deve pensar que apesar de trabalhar a partir de casa está no serviço então, se o seu horário de trabalho é 08h:00-17h.00, as 08h o trabalhador deve estar vestido tal como se veste quando está no serviço e a trabalhar e se no seu serviço veste-se uniforme não é necessário mas sim de forma decentemente e se o trabalhador não tem escritório na sua casa, é importante que crie um espaço na sua casa para passar a trabalhar e articular com a sua família sobre o seu horário de trabalho em casa e respeitar intervalo para sua saúde mental e faz manutenção da sua família”.

Existe ou não boa produtividade no trabalho a partir de casa  

Conforme Samuel Maputso Director do Capital Humano e Formação no BancABC, para que garanta uma boa produtividade de trabalho a partir de casa, adverte que é necessário que haja planificação do dia do trabalhador e faz menção ainda que as pessoas devem se questionar quais são as três coisas que devem finalizar no seu dia que não podem falhar e se consegue alcançar estas prioridades pode fazer outras tarefas planificadas em regime de rotina.

No rol de uma boa produtividade, no dia-a-dia dos trabalhadores se distanciam daquilo que é o preparativo da pessoa (colaborador) face ao seu trabalho de rotina e neste período de confinamento, é preciso igualmente uma preparação do trabalho e é importante refrescar a mente.

A volta de produtividade de teletrabalho, o nosso entrevistado afirma que o maior desafio está no Gestor e que é necessário que se reduza reuniões a mais de uma hora ou fazer uma reunião uma vez por semana usando as plataformas digitais. E ainda na senda de teletrabalho, as pessoas quando estão em casa trabalham muito mal mais do que 08horas de tempo por dia. O capital humano tem a responsabilidade de educar seus trabalhadores acerca de trabalho a partir de casa porque muitas pessoas não têm conhecimento dessas questões, treinar as pessoas sobre as questões em alusão e regularmente monitorar a equipa.

Sobre o despedimento e não remuneração salarial dos trabalhadores suspendidos no âmbito do Estado de Emergência

Para o nosso entrevistado defende que o Capital Humano nas empresas em parceria com o departamento jurídico são guardião da legalidade da empresa mas no que tange a legalidade laboral e estabilidade laboral é responsabilidade do capital humano e neste sentido, o Capital Humano “quando se a percebe que o volume de negócio baixou e há necessidade de suspender alguns contratos, tem que se fazer a gestão de espectativas dos colaboradores através de uma comunicação eficaz convocando uma reunião” e quando há uma boa comunicação até pode ter voluntários que querem trabalhar a partir de casa e se possível se fazer diferença das férias. E se não há comunicação culmina em despedir os trabalhadores ferindo os seus direitos e se as decisões tomadas afecta todos trabalhadores, a partir de um diálogo as pessoas estão preparadas para fazer o compromisso sobre os seus direitos quando se apercebem dos seus sacrifícios. E no caso concreto que acontece nas empresas moçambicanas face a esta pandemia da covid-19 “Se a empresa suspende o trabalhador ou contrato de trabalho no âmbito de estado de emergência tem que se observar o que está escrito na lei de trabalho, lei sobre estado de emergência e demais legislações aplicáveis a questão e não suspender as pessoas simplesmente e não pagar as remunerações e ai é violação da lei”, defende Samuel Maputso.

Entretanto, após a pandemia do novo coronavírus, os empregadores tem a obrigação de preparar as pessoas para lidar com a situação e dependendo da natureza do negócio é possível que as pessoas fazer-se ao trabalho e pensar em forma diferente de fazer trabalho treinando os seus colaboradores de fazer trabalho de forma diferente a partir de casa e não ter que estar no escritório e neste prisma, as empresas precisam repensar a forma de fazer o trabalho, preparar os trabalhadores para operar eficazmente nessas novas formas de trabalho.

Face ao trabalho a partir de casa existem alguns trabalhadores que pela natureza do seu salário não chega a garantir a cesta básica e que a partir desse salário mínimo são lhes obrigados a se reinventar para garantir a subsistência eficaz das suas famílias e combater a insegurança alimentar que se avizinha devido a eclosão da covid-19 que nos separou dos hábitos africanos, dos caracteres dos negócios de subsistência em diversos sector do comércio formal e assim do informal. E as empresas neste período têm as responsabilidades de assistência dos trabalhadores sobre os seus dias livres em casa para não ferir a produtividade da instituição.

Posição das empresas moçambicanas face a covid-19

As empresas em Moçambique estão a passar dificuldades enormes por um lado a mesma tem que arcar com os custos da mão-de-obra que não está em condições de render o que rendia antes por causa da pandemia e outro lado há falta de liquidez em geral no mercado e não só o cidadão comum não tem dinheiro para gastar, acontece igualmente para as empresas sobretudo as PME não têm dinheiro para manter o nível de stocks necessário (importações, exportações, etc.).

Maputso na sua avaliação das empresas moçambicana no âmbito do novo coronavírus, salientou que todo o sistema económico está afectado e esta situação da pandemia se prolongar muito por muito tempo o estado de emergência e passar para o nível 4 de lockdown o impacto da economia no país será caótico e é propósito dessa pandemia que os outros países ainda a nível de infecções com um numero de infecções extremamente elevado e olhando para este cenário aconselha a todas a empresas devem se “reinventar” face a esta pandemia pois este Moçambique nunca será igual aos meses pretéritos e para os homens de negócios e os profissionais de Recursos Humanos (RH) há que aproveitar as lições da covid-19 para se reestruturar, reorganizar, o modelo de negocio de cada empresa deve mudar, a forma de Recursos Humanos na empresa actual tem que mudar.

O Director do Capital Humano do BancABC disse que os profissionais dos RH devem preparar as empresas e colaboradores para que esta transição de forma de negócio face ao coronavírus deixem de se lamentar da pandemia e ter em mente o que a covid-19 ensina as empresas sob ponto de vista de resiliência, inovação, eficiência operacional que deve implementar após o coronavírus e ganhar mais dinheiro e a preparação inicia agora e “todas as empresas após covid-19 vão arrancar com alta velocidade e não vai arrancar devagar e tudo vai arrancar com força e assim vamos sair como vencedor” apelou Samuel Maputso.

Como tornar um bom Gestor de RH?

Nos dias que correm o mercado está caracterizado de pessoas de varias áreas de gestão em ramos diferentes mas o que inquieta certas empresas os profissionais de gestão não tem conseguido manter um bom ambiente.

Para Samuel Maputso executivo do Capital Humano no BancABC para ser um bom gestor de RH é preciso compreender negócio da empresa e não só nas formações mas também, e a partir da compreensão do negócio da empresa vai desenhar as estratégias dos Recursos Humanos; o segundo aspecto tem a ver com a credibilidade como profissional e “a credibilidade não é uma coisa que acontece de hoje para amanha ou você tem licenciatura, mestrado ou Ph.D. de RH, não, tem a ver com a consistência das suas posições” e outro ponto, as pessoas tem que ter confiança e segurança no que o profissional de RH diz de tal maneira que as respostas o director do Recurso Humano está dar não são soluções dispersas não, deve se aperceber que antes de dar resposta o profissional pensou no âmbito da pergunta. Portanto, é preciso um pensamento contextual que é o mais essencial da experiencia e o director dos Recursos Humanos tem que saber jogar a partir da visão.

 

 

 

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