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Para vincar seu fundamentalismo islâmico: Terroristas agendam alvos cristãos

O grupo terrorista que semeia morte e pânico em distritos da província de Cabo Delgado, desde 2017, parece ter colocado na sua agenda, de incursões armadas, alvos religiosos, nomeadamente cristãos, somando para duas as entidades atacadas, com a recente escalada à missão de monges católicos e destruição do templo religioso.

Depois de ataque à histórica Missão Católica de Nangololo, no posto administrativo de Muambula, no transacto mês, em plena semana Santa, tomaram de assalto, na terça-feira da semana finda, a missão de monges beneditinos em Auasse, na povoação de Muambula.

Os ataques que vem se arrastando desde Outubro de 2017, cujo rastilho foi em Mocímboa da Praia, até quase meados do mês passado, além de ataques a população e militares, tiveram como alvo de incursões armadas e pilhagem instituições e bens públicos, das Forças de Defesa e Segurança, privadas e particulares, tendo-se contabilizado mais de mil mortos, maioritariamente civis.

Doravante, os ataques foram-se se incrementando ao ponto de entre 1 de Janeiro e 25 de Abril deste ano, ter havido registado de mais de 100 incidentes relacionados com os terroristas e que passaram a reivindicar identidade com o Estado Islâmico.

Nesta nova configuração e integração ao comando do Estado Islâmico, o “ADN” de fundamentalismo islâmico começou a ganhar mais corpo, declarando os não seguidores do islão como inimigos “mortais”. Há-de ter sido a razão do massacre de cerca de 52 jovens na aldeia de Chitachi que se recusaram a aliar-se ao grupo.

Para vincar a sua radicalidade, além dos alvos tradicionais, investem contra a simbologia do que para si representa os “infiéis” da sua causa, evidentemente os cristãos.

Assim nesta sua nova estratégia evasiva começaram a atacar alvos cristão, mormente católicos, com a investida à Missão Católica de Nangololo, uma das maiores e mais importantes de Cabo Delgado, fundada em 1924 por padres holandeses.

Porque ferir a simbologia dos infiéis era o alvo, os atacantes não queimaram as infra-estruturas da missão, como a Escola Secundária Vyaka Sabini, a Rádio São Francisco de Assis, os espaços de formação e as casas de missionários. Mas, sim, os terroristas invadiram a igreja, tendo arrombado as portas e partido as janelas, acção que levou os missionários a saírem em debandada para Pemba, até aqui a cidade considerada mais segura de Cabo Delgado.

Concretamente, os malfeitores entraram no interior da igreja e atearam fogo, tendo esta ficado literalmente destruída, incluindo símbolos religiosos, excepto a parte do tecto que não foi atingido devido à sua altura elevada.

Segundo depoimento do bispo de Pemba, dom Luíz Fernando Lisboa, citado pela publicação Vatican Nwes “eles entraram, sim, na igreja católica do sagrado coração, a segunda mais antiga missão aqui da diocese de Pemba, e ali queimaram bancos e uma imagem da nossa senhora, queimaram a imagem do sagrado coração”, vincou, um reflexo de que pretendiam tocam mais fundo na simbologia cristã.

O ataque a esta missão católica, onde se encontra uma das mais antigas paróquias da província de Cabo Delgado, foi o primeiro ataque à simbologia cristã perpetrado por estes homens armados, que usam o Islão para justificar as suas acções.

Mais recentemente, na terça-feira da semana transacta, estres terroristas tomaram de assalto e destruíram as instalações de uma missão de monges beneditinos em Auasse e segundo o bispo Luiz de Lisboa, sobre esta segunda incursão terrorista, os malfeitores destruíram um hospital e roubaram diversos bens, incluindo uma viatura dos Padres Beneditinos.

Consta inda, segundo esta autoridade católica, que após os ataques, os padres e seminaristas daquela congregação fugiram para o mato, onde passaram fome, e dias depois emigraram para a vizinha Tanzânia, onde se encontra o seu convento.

LAMENTAÇÃO EPISCOPAL

Em nome da Conferência Episcopal de Moçambique, dom Lisboa, lamenta estas ocorrências, mesmo que não haja vítimas humanas, considerando que “embora com a presença das Forças, a situação não está controlada”.

É de referir que os monges beneditinos têm presença em Cabo Delgado já há alguns anos  e construíram uma paróquia em Palma, para além de outras infra-estruturas sociais.

 

Estes ataques que transpõem três anos de duração tem como palco uma província onde avançam megaprojetos para a extração de gás natural, uma das reservas referenciais a nível mundial, cujo investimento e negócios em maga estão na casa de dezenas de biliões de dólares.

Apesar das operações militares em curso, as Forças de Defesa e Segurança parecem ser incapazes de deter os vários grupos que estão a transformar a província de Cabo Delgado num autêntico inferno.

Apesar de ser raro o dia em que não se registam ocorrências, ficará na história o dia 8 de Abril, quando 52 jovens que se recusaram a integrar as fileiras dos grupos armados foram barbaramente assassinatos.

O ataque agora à missão dos monges beneditinos comprova essa estratégia de terror e ataque a simbologia cristã. Perante a dimensão do problema, o Bispo de Pemba reconhece que a comunidade internacional deve agir. “Mas quem pode ajudar tem de oferecer essa ajuda”.

Citado por fontes internacionais, o Bispo diz que países como Portugal podem desempenhar um papel importante no auxílio às autoridades de Maputo perante esta onda de violência. Mas não só. “Portugal, sim, mais a ONU, a União Africana, enfim, todos os que podem e acham ter o dever de ajudar devem oferecer ajuda. Sozinhos, de facto, vai ser muito difícil.”

 


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