Preto & Branco

Aulas online e telescola é um icebergue em Maputo

É um cenário visível na província de Maputo que o método de aulas online para o ensino técnico médio, superior e aulas a partir da televisão ou seja telescola é um catástrofe para a comunidade académica desta província onde tende crescer cada vez mais as dificuldades de manter aulas devido a falta do domínio do manuseio das plataforma que possam juntar os estudantes a dar a continuidade das suas formações académica, internet precária, preço da ligação da própria internet e aliado a esta situação os educando queixam-se da falta de condições adequadas para manter as suas aulas em andamento.

Os nossos interlocutores para além da falta de capacitação do manuseio das plataformas de ensino e aprendizagem que torna difícil manter as aulas sólidas e os mesmos apontam para a inexistência do domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação- TIC´s, a redução da expansão da corrente eléctrica que mesmo as suas famílias tenham televisores para assistir as aulas que são transmitidas a partir de um canal da televisão pública fica neutro devido a falta da corrente eléctrica.

E é notório que para manter as aulas online até este nível, que mesmo com a vontade e prontidão de aprender os estudantes atravessam barreiras para que os seus interesses seja efectivados e sinal disso, varias escolas optam por criação de grupos do WhatsApp para cada disciplina e mesmo assim para aceder a esta plataforma necessita de internet e com Internet precária e altos preços da ligação são grandes obstáculos para estudantes.

Para Samuel Francisco estudante do curso de Gestão de Recursos Humanos residente na Matola queixa-se do método de estudo decretado pelo Governo como forma de manter o isolamento social face a pandemia da COVID-19 pois nem todos têm as condições para manter as aulas online.

“É meio complicado, se formos a olhar nem todos temos condições de ingressar nessas aulas, há alguns estudantes que não têm acesso as redes sociais e assim sendo fica muito difícil que estes tenham a matéria. E outro ponto é, olhando para os que têm nem todos estão capacitados para ter aulas online. Por exemplo, no meu instituto criamos um grupo de WhatsAPp para debatermos a matéria e há alguns colegas que reclamam da falta de megabytes para ter acesso a matéria e olhando para este ponto parece banal mas é um assunto sério e o preço da ligação é muito caro e dependendo do telemóvel, há telemóveis que o consumo é elevado e somos obrigados a recarregar a partir de 20mt, 30mt para cima e o nível de compreensão da matéria é muito diferente. E olhando para o progresso da doença no nosso país já passa dois meses perdidos resultantes do confinamento e se alastrar até seis meses eu acho que assim há necessidade de rescindir o ano” queixou-se Samuel Francisco.

Maria Nelson Machaie de 17 anos de idade frequenta 10ª classe no Município da Matola e residente no bairro de Gongloza nos arredores do município do mesmo nome, que mostrou a nossa reportagem ter conhecimento das medidas de prevenção da covid-19, manifestou o seu posicionamento quanto a resolução das fichas disponibilizadas pela escola que frequenta.

“Estou a resolver as primeiras fichas e estão sendo fáceis e só tenho dúvida na disciplina de inglês porque não entendo melhor esta cadeira e para dissipar as dúvidas peço ajuda ao meu irmão para que possa explicar me esta matéria de modo a resolver e não deixar em branco. E não tenho conhecimento das aulas através da televisão, ou seja, telescola porque vivo num bairro sem corrente eléctrica e na minha escola falou-se de criar um grupo de estudos e até agora não foi criado e não é fácil estudar sem contacto directo do professor”, manifestou Maria Machaie.

Um dado muito complicado no âmbito dos estudos em regime de confinamento, para a adolescente Maria desde o primeiro dia das suas aulas nunca teve professor de Matemática é uma situação preocupante e apesar de não ter disponibilizado fichas desta disciplina ela se sente desapontada por se tratar de uma disciplina que exige muita presença do professor.

Hélio Dzimba é estudante do instituto médio que está cursando Topografia na Matola e residente no município do mesmo nome que por sinal está no seu último ano queixa-se da morosidade da disponibilização da matéria por parte dos docentes que acaba comprometendo aquilo que é a sua formação porque, estudar no regime do confinamento não está sendo fácil desde que o Governo decretou as aulas online.

“Para manter as aulas em andamento usamos a plataforma mais usada que é o WhatsApp onde os nossos docentes nos manda matéria em PDFs com exactidão e matemos interacção docente-estudante e o nível de compreensão da matéria é complicado pois o meu curso exige muita prática do que teoria. E o cenário dos casos positivos no nosso país está a elevar apesar de alguns dados de recuperação e não temos escolha temos que continuar a ficar em quarentena pois embora torna negativo para as partes que maior parte da população vive dependência e assim vai se registando maior número do desemprego onde os pais não vão ter salários para o sustento das suas famílias e mesmo para a comunidade académica. No que diz respeito ao aproveitamento pedagógico creio que vai ser negativo porque muitos alunos do ensino clássico pensam que estão no momento de férias mas não, eles ficam mais relaxados e ligados as redes sociais mas não estudam como deve ser e a presença do professor faz muita falta diante do aluno e este semestre o aproveitamento será baixo e há falta da colaboração dos alunos nos grupos de estudos”, disse Hélio Dzimba.

Devido à pandemia da Covid-19, as escolas e universidades do país estão encerradas há mais de um mês, em cumprimento do estado de emergência decretado pelo Governo e associado a esta situação, o executivo moçambicano decretou método de estudar através de um canal televisivo ou seja uma plataforma denominada Telescola.

Indubitavelmente há vários bairros na província de Maputo onde a população não tem televisor e não há corrente expandida e desta forma contínua ser um bloco de gelo flutuante.

 

 

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