Preto & Branco

Mais de 3000 vidas em situação deplorável no Grande Hotel

Volvido 65 anos depois da inauguração do Grande hotel na cidade da Beira é visível a olho nu a saturação da infra-estrutura histórica nacional e continental, sinais como a perda de guarda corpo, aberturas na estrutura, nas paredes e no pavimento de madeira. Enquanto isso acontece, mais de 3000 pessoas residem naquele lugar sem intenção de abandonar numa altura em que a degradação acentuada não oferece condições mínimas de segurança, qualquer um que transitar diante ou a volta pode degustar o perigo eminente.

Numa altura em que as principais cidades conhecem o verdadeiro êxodo rural, na maioria a procura de melhores condições de vida nas cidades devido a perda de regularidade da época chuvosa e os campos não produzem quase nada devido a este fenómeno associado, a mudanças climáticas, este lugar tem sido a preferência para dar continuidade a vida na base do comercio informal.

Homens, mulheres e crianças vivem neste lugar, ao nascer do sol de cada dia cada um toma a sua direcção para o local de trabalho enquanto isso os mais novos e, não só nesta altura de “Estado de emergência” permanecem em diferentes andares saltando a corda ou mesmo jogar a bola enquanto e, as mães cuidando do mercado informal. Vegetais, peixes, legumes, pão, cereais, bebidas alcoólicas, refrigerantes, cigarros, roupa usada isto é verdadeiro “Xipamanine”.

No interior vive-se uma verdadeira esperança ao ritmo de risadas, júbilos, conversas entre si também existem “anciões” que discutem alguns aspectos de desvio social, cheiro nauseabundo a volta, moscas de um lado para o outro águas negras jogadas de qualquer maneira.

Conversamos com Maria Chiveve, nome feitiço, casada de 36 anos de idade com três filhos disse a nossa reportagem que vive no hotel a trinta e cinco anos. “Nasci neste lugar e casei-me aqui também meu marido João Chiveve, nome feitiço, professor numa das escolas secundária da cidade da Beira nasceu neste lugar”.

“Passei a minha infância neste lugar conheci o meu esposo aqui e formamos um lar, hoje temos filhos, a renda do meu marido não para suportar o consumo mensal pelo que enquanto ele trabalha na escola eu fico aqui vendendo uma e outra coisa para alimentar a família”

Questionada se sabia do elevado risco que estava exposta naquele lugar?

Maria disse que não tinha outra opção e com poucos ganhos nada podia fazer se não continuar a viver neste lugar porque mesmo no passado fomos atribuídos espaços no bairro da Mangas para a construção de uma casa uni familiar. Preferimos vender o lugar   para dar outras prioridades como vê as crianças devem ir a escola e no passado beneficiaram de apoio do Santo Egídio que todas manhas mandava uma min bus para transportar as crianças para ir estudar agora já são crescidas pelo que temos que pagar.

Para nós este lugar é normal como vê são professores, agentes da policia, funcionários de aparelho de estado vivem em diferentes apartamentos, no passado havia ambiente de crime porque muitos malfeitores vinham se esconder aqui e quando estranho entrasse aqui era atirado para o chão no passado era comum ver a cada manha mortos a volta mas a cinco anos o cenário mudou completamente.

Para garantir a segurança e tranquilidade a PRM formou policia comunitária que tem reportado as atrocidades na comunidade de Grande hotel pelo que agora esta calmo.

Este lugar não tem iluminação, são grandes compartimentos como tem sido a mobilidade a noite?

Bom neste lugar somos unidos e temos desviado a corrente eléctrica por intermédio das barracas a volta e os mais jovens monitoraram a situação em caso da aproximação da viatura da EDM e/ou agentes aliviamos a ligação clandestina.

O Grande Hotel na Beira foi um hotel de luxo tendo funcionado ente 1955 e 1963, após este período continuou sendo utilizado até a década 60 como um centro de conferencias, bem como a sua piscina com dimensões Olímpicas. Durante a guerra civil em Moçambique (1977-1992) tornou-se um campo para refugiados de guerra e, actualmente o antigo hotel está ocupado por cerca de 3.500 pessoas que vivem em condições precárias. O governo considera removê-las eventualmente, mas a situação se arrasta por anos, estávamos a citar.

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