Preto & Branco

“Os poetas são egoístas e devem se unir para com a causa” defende a Poetisa de Ninguém

Tal como se expressa o nome artístico Poetisa de Ninguém que nos princípio de conhece-la nos causava entraves nas nossas memórias de tanto nos esquecer de chama-la desta designação mas, a jovem de 22 anos de idade na sua caminhada poética com uma voz doce, meiga e indomável tem alimentado e saciar os vazios dos consumidores através da poesia atravessando os tímpanos para coabitar nas cachimónias vivas dos mesmos mas, não basta com o alimento que dá o seu público-alvo sendo que, está apavorada e indignada com a posição dos seus colegas de profissão (os poetas) que na suas carreiras têm originado rostos carrancudos e que chega a emergir carrapata e na mesma angulação defende a eliminação do egoísmo e criar novas sinergias para dar vida a poesia.

A poesia é uma arte, a poesia é vida e a Ema de Jesus Albino, Poetisa de Ninguém poetisa moçambicana natural de Inhambane distrito da Maxixe, que viu essa arte a nascer nos seus olhos desde a sua infância que graça do seu ancestral responsável pela Organização dos Continuadores de Moçambique, que nos dias comemorativos era indicado pelo seu pai para declamar a poesia pela passagem das efemérides. E foi assim, o convite não foi rejeitado pela Ema visto que a idade ainda não tinha escolha sobre o que fazer e o que não fazer vinda das ideologias dos pais.

Para conhecer um pouco da parte da sua vida profissional desta menina fala a seguir de estágio da poesia no país em particular em Maputo e como entra no mundo da poesia, uma perspectiva da sociedade moçambicana.

JOP- Quando é que começa a declamar?

PN: Começo a declamar por volta dos anos 2009, por conta da obrigação do meu pai, então declamava em datas comemorativas tais como 25 de Junho e entre outras datas e tardiamente tive que me afastar dos meus pais por conta dos estudos onde fui estudar na Escola Profissional de Mabote pelo que estava a viver no Internato na Província de Inhambane. De início não podia mais declamar porque meu pai era responsável na Maxixe e assim, na passagem duma efeméride não declamava mais e dai me apercebi que aquilo me fazia falta e descobri que não por obrigação, fazia por amor.

JOP: Na altura que recebe a proposta de declamação vindo das palavras do seu pai, qual foi a reacção?

PN: Bem, naquela altura não tinha uma idade conveniente para dizer que poesia é isso e mais aquilo. De princípio comecei como aquilo fosse uma obrigação porque eu ia lá falar palavras em que sempre a escolha do meu pai como fosse a ultima pessoa a declamar no meio de tantas crianças e o impacto que criava não sei se é porque ele sempre me deixava no fim, o impacto era sempre uma coisinha meio espectacular, então, no âmbito de eu estar a viver dele, eu começava a sentir a falta de aquilo e é dai onde surgem os meus primeiros textos isso em 2013 e nas datas comemorativas já declamava na escola e quando houvesse eventos também declamava. Existia lá um grupo cultural Makwaela e tudo mais, no entanto a poesia apenas eu fazia parte, então, o que me leva a querer desenvolver de forma profissional esta coisa, é porque uma vez quando começam os ataques em Muchungue, eu escrevi um texto que os meus docentes fizeram comentários no âmbito “que texto interessante até pode vender para Mia Couto” e eu de mim disse, eu não desejo vender o texto para Mia Couto, desejo também um dia alguém reconhecer como Mia Couto o meu trabalho, desejo numa futura geração alguém escreve e diga é interessante poder comparar o texto com uma Ema de Jesus “Poetisa de Ninguém”, e é dai que começa o meu trabalho como amor e descobri que existia a poesia dentro de mim e faltava para eu me permitir ser aquela poesia que meu pai e estou muito grata por ele. Então, começo a desenvolver de forma profissional em 2017 porque os primeiros textos são aqueles com pequeno desequilíbrio pois os nossos primeiros trabalhos são os que nos fazem nós porque não podemos desprezar e ninguém nasce já caminhando e com os primeiros textos, me amostraram que realmente tenho potencial.

JOP: A que grupo cultural da praça a Poetisa de Ninguém pertence?

PN: A Poetisa de Ninguém pertence a um grupo recentemente criado “SEJA A POESIA QUE HÁ EM SI”-SPHS onde o grupo é composto de poetas e músicos, que fazem música em capelas e tem três poetas principal como Ema de Jesus “Poetisa de Ninguém”, Gonçalves Gonçalo, Denise Fazenda e músicos do Grupo Sweet Soil e outros membros não artistas que se sensibilizaram com a causa então, ora SPHS, Ema de Jesus faz parte de Oásis da Poesia da UPM.

JOP: Que dificuldade na arena da poesia enfrentou?

PN: As dificuldades são coisas boas para o nosso crescimento porque sem as dificuldades nós não veríamos qual é o nosso nível de firmeza, qual é a nossa capacidade de lidar com qualquer tipo de situação mas, tentando puxar na minha gaveta da minha memória, a nível de dificuldades primeiro foi quando me mudei para Maputo por conta académica então, cheguei em Maputo assim novata e nada sobressaia e precisasse ainda de enquadrar mas ainda deixar a minha poesia seria eu não sabia como me endereçar mas com tempo conheci pessoas que me apresentaram o Palavras são Palavras e em diferentes locais que eu pudesse ir lá deixar a minha poesia e ouvir a poesia dos outros, aprender com outros porque a “poesia que há em si” é não só fazer mas escutar e escutar também é uma arte e apreender é uma arte e fora disso, a outra dificuldade é no entanto querer no âmbito da declamação é ter alguém que pudesse acompanhar me nesse percurso como ter um instrumentista para tal. Mas porque as dificuldade que alguém supera a sua maneira sinto me as vezes e coloco me com a parte do grupo de SPHS que é grupo Sweet Soil eles fazem a capela e me acompanham a declamação e as vezes alguns guitarristas conhecidos. Ainda no âmbito das dificuldades em me lançar como profissional de poesia como alguém que ama poesia mas, estou criando directrizes e o facto de já estar nesta entrevista do vosso órgão de comunicação Jornal O Povo, é estar a superar uma das minhas dificuldades porque se a entrevista veio até mim já comecei a deixar ficar o meu nome.

JOP: No role das dificuldades que tem a Poetisa já emitiu o pedido de apoio?

PN: Até então não de forma como a essência, apenas pedi auxilio de pessoas conhecidas que também gozam de além ter alguém para lhes acompanhar mas no entanto, endereçar as palavras ainda não mas por enquanto vou dizendo Deus é que paga as contas do meu sucesso e creio que existirão pessoas dispostas para me apoiar Ema de Jesus a Poetisa De Ninguém e tempo certo para ajuda para que esse apoio venha a tona se concretizar.

JOP: Nos dias que correm é possível viver de poesia?

PN: como fonte de rendimento não me colocaria a responder esta questão porque para mim, a vida é poesia e depende de viver para cada um porque neste universo as pessoas desempenham bem os seus papéis de falecidos e outros falecidos desempenham bem o seu papel de sobreviventes pelo que viver tanto de poesia, basta que a poesia te faça feliz e agora indo no âmbito económico, a sociedade ainda não aceitou totalmente a poesia e volto a repisar, viver de poesia entanto se fazer de poesia, não seja pelo económico, seja por amor a própria coisa.

JOP: O que é necessário para que a sociedade aceite a poesia na sua totalidade

PN: Aqui há um cenário interessante que deve partir de nós como poetas como fazedores da arte, nós precisamos primeiro de nos unir porque o que acontece geralmente no mundo da arte de poesia tanto os poetas ou seja fazedores da poesia, são muitos egoístas, é como se tivesse conflitualidade mesmo mas não há, todos somos maus. Primeiro como poeta precisamos nos unir porque não existe melhor poesia para tal, cada um expressa aquilo que sente, cada um escreve a sua maneira, cada um cria o impacto que cria na pessoa e no momento certo então, como poetas precisamos nos unir, e depois como poeta precisamos ler os textos um aos outros porque não adianta nada escrever um texto e ler o meu sem ler do outro poeta. Nós como artista precisamos ser os próprios propagadores nesse evangelho que é a poesia. Em cada encontro que nós proporcionamos precisa ensinar e precisamos aprender, ensinar as pessoas a compreender a necessidade da leitura não no âmbito da poesia mas a leitura em si porque a leitura dá asas a nossa imaginação e ler é viajar mil e uma vezes no mesmo instante, no mesmo local.

JOP: Alguma vez já participou em um concurso público?

PN: Sim! Por acaso fui finalista do concurso MozSlam “Batalha de Poesia” em 2018 e fui uma das finalistas da 1ª edição MozSlam, participei igualmente na edição do ano passado do festival da poesia da UP tendo ficado e congratulado na categoria de melhor dicção.

JOP: Qual foi o sentimento após de ser  considerada melhor?

PN: Senti me na obrigação de continuar a trabalhar a minha dicção.

JOP: como se classifica Poetisa de Ninguém, se sente realizada?

PN: A minha realização não é chegar onde estive mas, a minha realização é o caminho. Portanto, quanto mais eu fazer poesia vou me sentindo realizada mas, o que seria me sentir realizada? Seria sim se assim que eu morrer a poesia continuar a ser divulgada, a ser contemplada e não se sinto realizada pois, a minha realização acontece após dia.

JOP: Face a pandemia da Covid-19 qual é o estágio da sua carreira?

PN: É certo que a pandemia veio mudar muita coisa e não parou por completo mundo, mudou os nossos hábitos e que cada um tem mini realizações em si e tem capacidade de si reinventar, nisso estou continuando a trabalhar e agora temos mais que aproveitar aquela proporção tecnológica e para que nisso no âmbito da SEJA POESIA HÁ EM SI, estamos a trabalhar neste momento um projecto designado 40 Poemas em Quarentena que consistirá em enviar os textos e tem a ver com Estado de Emergência, como liar com a vida face a essa pandemia e neste caso, coleccionar os textos daqueles que vão participar nesses poemas em quarentena e seguidamente será lançado um livro com este titulo em formato electrónico que estará disponível para os membros e assim como o público em geral. E agora que estamos em casa, a poesia se faz sentir porque todo mundo tem a poesia como ocupação.

JOP: Quantas obras já estão lançadas sob sua chancela

PN: Publicadas nenhumas mas, tenho as que estão a ser temperadas são três.

JOP: Para além da poesia, o que faz

PN: Sou estudante da UP Faculdade de Engenharia frequentando o 2º ano de engenharia electrónica e fora disso, sou técnica média em construção civil, sou a poetisa electrónica e é aprender novas coisas a cada dia.

 

 

 

 

 

 

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