Preto & Branco

Sacrifício de uma nação

A cooperação entre Moçambique e Cuba iniciou nos primórdios da independência nacional, onde muitos moçambicanos foram formados em Cuba nas diversas áreas profissionais. Dessa cooperação, ditou-se a vinda de cubanos para o país, cuja actuação nota-se em sectores, tais como: saúde e educação.

No sector da educação, destaca-se a vinda do Dr. Miguel Correoso, professor universitário, a quem procuramos saber na viva voz, como tem sido o seu dia-a-dia. À nossa reportagem, o professor disse:

“Comecei a trabalhar em Moçambique em 1989, com toda colaboração prestada pelo governo Cubano, nos primeiros anos dediquei-me as escolas secundárias e mais tarde passei para o ensino superior”.

“Hoje considero-me moçambicano porque casei e tenho uma família aqui. Tento reagir a todas circunstâncias que me apresentam, como é natural. Quanto ao nosso ensino, tenho que admitir que a sua qualidade ainda é fraca devido aos níveis de exigência e preparação do pessoal profissional que não é pura. Hoje em dia, os estudantes não estão preocupados na formação com visão para o futuro, mas sim em ter apenas o canudo e sem sacrifico”.

Correoso lembrou-se do discurso do ex presidente Armando Guebuza “Combater a pobreza absoluta” porque realmente o estudante não pensa na superação, mais sim no Diploma e ignora os exercícios académicos que são importantes no processo da sua formação.

“Na minha óptica, o estudante deve estar preparado para desenvolver o país embora a situação actual esteja influenciada de forma negativa, contribuindo, desta feita, para o fracasso nos vários desafios”.

Correoso acredita que Moçambique irá desenvolver, à semelhança de outros países, a longo prazo. “Teremos de encontrar localmente soluções adequadas com vista a alcançar a vitória”, enfatizou.

“Quanto ao uso das redes sociais é um ganho irreparável. No passado a circulação da informação era limitada, mas as redes quebraram as fronteiras e estamos numa era digital, de livre circulação de informação e isso constitui um grande avanço tecnológico e deve ser capitalizado por cada um de nós”.

“Em Moçambique são poucos pesquisadores que temos porque o empresariado não tem estimulado e nem tem a cultura de dar seguimento aos graduados em suas áreas de formação, o que faz com que muitos fiquem frustrados e candidatem-se a emprego cuja área não é da formação, para apenas garantir remuneração e sua sobrevivência”.

O professor afirmou também que “em qualquer parte do mundo existe financiamento para a pesquisa, sem fundos é quase impossível fazer qualquer trabalho de campo. Localmente temos muitos e variados problemas e os estudantes podiam trazer possíveis soluções, no âmbito de exercício académico, mas não se faz nenhuma pesquisa a custo zero”.

“A base de desenvolvimento de Moçambique é a agricultura. De algum tempo para cá, a zona sul registou seca, havendo chuvas regulares na zona centro e norte, mas devido a guerra na zona centro há dificuldades em termos de mobilidade ao longo da EN1. Penso que devia se parar a guerra para permitir-se a livre circulação, pois muitos empresários estão a abandonar o país e são que nos restam”.

Correoso assemelha actual crise de Moçambique a de Cuba tendo lembrado que aquando da revolução cubana em 1959 formou-se o pessoal técnico qualificado e os profissionais médicos, engenheiros e professores. “Alguns países já passaram por crises mais complicadas. O mais importante é que todos devemos estar unidos para vencer. Veja que eu sou orgulho do embargo cubano que esteve bloqueado desde 1959 até 2016. Foi um longo processo de sacrifício. Hoje em dia a China tem uma economia invejável, mas antes passou por uma dura crise”. Sem lutar não há vitória, a que lutar em algum momento.

 

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