Preto & Branco

Vivos e Mortos Passam Vergonha no Cemitério de Texlom

No cemitério da Texlom com mais de trinta e cinco anos da sua existência ainda continua a realizar-se funerais naquele espaço. Devido ao estado avançado de degradação e erosão como consequência lógica das últimas chuvas, nota-se que o cemitério já atingiu o limite da sua capacidade para a realização de funerais.

As viaturas das agências funerárias não têm acesso ao pátio do cemitério daí que estacionam no passeio e os familiares das vítimas carregam o caixão até a capela. No seu interior, observa-se que os espaços comuns e becos estão todos desnivelados, facto que dificulta a mobilidade dos peões no recinto. Além disso, é comum notar-se que o capim já atingiu uma altura assustadora e que se confunde com uma verdadeira mata, e como era habitual cada família recebia uma chapa com a devida enumeração ou inscrição já não acontece. Este é o cenário que obriga as famílias a improvisar este símbolo com pau e folha de papel.

Segundo a comerciante de flores, Emília Bambo, neste momento o cemitério está com problemas sérios de degradação o que dificulta a entrada cordial das urnas. Por outro lado, a falta de espaços pré-definidos constitui uma barreira aos coveiros no que se refere a identificação do espaço para a abertura de uma nova cova porque o local está superlotado. Como conseqüência, ocorre a práctica de corrupção entre famílias e coveiros.

Bambo disse ainda que para quem deseja realizar funeral neste local é obrigado a caminhar sobre as campas o que anula a ética moral deste local, isto porque as passadeiras têm sido aproveitadas para responder a demanda deste serviço. Acompanhei que ia encerrar-se este local e já passam muitos anos e nada tem sido feito para aliviar o sofrimento da população, mas enquanto isso não acontecer os mortos estão entregues a sua sorte, desabafou o Bambo.

Devido ao estado degradado de cemitério originado pela chuva, as pessoas da terceira idade não têm tido o fácil acesso do cemitério, sobre risco de queda quando visitam aquela casa. O engraçado no meio deste cenário ninguém diz nada se é que o próprio Conselho Municipal da Cidade da Matola – CMCM anda por perto para minimizar esta situação, mas é do conhecimento de todos que as famílias pagam imposto de circulação e depositam restos mortais de seus familiares.

Importa referir que este local tornou-se um verdadeiro mato cerrado, onde pode esperar o cruzamento com animais rastejantes, árvores quase que nunca são podadas o que fere o sentimento de qualquer um. Diante do local temos a estrada nacional numero 4 – EN 4 que não tem lombas o que permite o excesso de velocidade por parte dos condutores que por ali passam e coloca-se em perigo a vida das famílias que participam em cerimónias fúnebres e se calhar a TRAC devia encontrar formas de desencorajar este tipo de local onde na maioria das pessoas estão fora do seu normal.

 

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