Preto & Branco

Um olhar sobre as Violações Sexuais de menores. De quem é a culpa?  

Os relatos de casos de violação sexual de menores e de abusos de adultos viraram uma música na sociedade moçambicana. Acompanham-se, diariamente, pelos órgãos de comunicação social, sempre mais um caso de violação sexual. Em muito dos casos, protagonizados pelos familiares, vizinhos, professores ou colegas das vítimas. Num dos casos mais recentes, além de estuprar a sua sobrinha, um senhor, que o iremos tratar de Mário, ainda mantinha a vítima sobre constantes ameaças e por vezes a agredia. Fomos à rua colher algumas sensibilidades no que tange ao assunto. Vejamos as opiniões colhidas:

Nelia Gomes, olha para o caso de violações com muita tristeza e traz uma reflexão que põe a culpa sobre as violadas na medida em que, segundo ela, as raparigas tendem a trajar roupas demasiado sensuais e que enchem os homens de desejos o que culmina com a violação sexual. Questionada se os menores de cinco anos também tinham culpa, Nelia respondeu que na sua opinião, as menores de dez anos por vezes são violadas porque as mãe as abandonam nas mãos de gente de conduta duvidosa.

Patric Chirindza, diferentemente da opinião da Nelia Gomes, acha que não há razão que justifique tamanha barbaridade e, para si, todos os que cometem tais atrocidades deviam ser apedrejados em praça pública como se fazia na antiguidade. Patric classifica de psicopatas todos os indivíduos capazes de tal acto.

Questionados sobre possíveis medidas com vista a estancar o mal, Nelia diz que os pais e encarregados de educação devem ser mais atentos no que diz respeito aos cuidados a ter com as suas crianças. “ As mães não devem deixar as crianças com pessoas de sexo oposto ainda que sejam familiares. Não só, como também, as mães deviam ensinar uma maneira exemplar de vestir às filhas de modo a que, não despertem atenção nem desejos por parte dos violadores” salientou Nelia Gomes.

Patric, porém, opta por um caminho marxista, disse na primeira pessoa, “ Para mim, tinha que se punir esta gente de forma exemplar, por forma a desencorajar-se este tipo de praticas que em nada nos são benéficos. Se, em algum dia, alguém ser morto por cometer uma violação, certamente que todos  os que têm a ideia de fazer o mesmo irão recuar. Há muitas prostitutas e mulheres que não têm namorados, maridos, ou seja, não há falta de mulheres adultas com as quais manter relações sexuais de forma livre e desimpedida, daí que, não se explica que haja violação sexual de menores que, em muitos dos casos, coitados, acabam ficando traumatizados por o resto da vida.”

Conversamos com o Sociólogo Fredirico Mateus Júnior, que afirmou, categoricamente, estamos perante um caso de uma doença da sociedade. Afirma ainda que, segundo (Fávero, 2003), em algumas culturas é perfeitamente normal e aceitável tocar em crianças, mas desde que a intenção do adulto é a sua própria gratificação sexual estes actos tornam-se de imediato actos abusivos. As estatísticas apontam que uma percentagem significativa de abusos sexuais a menores é perpetrada por pessoas da família ou por pessoas do espaço físico muito próximo de habitat das crianças. Frederico foi mais longe, em afirmar que, segundo o mesmo autor, os abusos sexuais a menores, segundo alguns autores, é um acto através do qual um adulto obriga um(a) menor a realizar uma actividade sexual que não é própria para a sua idade e que viola os princípios sociais atribuídos aos papéis familiares. O abuso sexual também pode ocorrer entre menores. Mas em ambos os casos trata-se de um abuso de Poder. As pessoas têm tendência para pensarem que o agressor é sempre uma pessoa conhecida ou sempre desconhecida. Não, o agressor pode ser conhecido até muito próximo, como pode ser uma pessoa, completamente, desconhecida da vítima.

A tendência é de pensar que o agressor possui doenças psiquiátricas graves. Este pensamento está errado. Pois, o abusador quanto melhor estiver situado socialmente mais fácil é para ele conseguir o silêncio das suas vítimas. As estratégias vêm sempre acompanhadas de violência física, outra ideia não pensada. O agressor vai desde a sedução até à manipulação e à surpresa. A maioria das crianças vítimas de abusos sexuais não apresenta danos físicos.

Sobre o contexto do abuso, muitas pessoas pensam que só ocorrem em ambientes muito especiais associados à pobreza, baixa cultura, o consumo de drogas ou álcool. Ao contrário pode ocorrer em qualquer sociedade independentemente da posição social. O abuso sexual é transversal e percorre todas as classes sociais. Não é fácil definir o perfil de um abusador de menores, porque não existem características físicas que possam denunciar o autor de tais actos. Um abusador tanto pode ser alto como baixo, tanto pode ser jovem ou idoso. Cada vez mais é procurado um perfil deste tipo de agressor, mas em vão. Os agressores não têm qualquer característica social típica, nem um comportamento público identificado. Entre os estudos, existem coincidências de que a maioria dos agressores são do sexo masculino. Algumas teorias dizem que a explicação está na socialização dos homens e das mulheres na nossa sociedade. Enquanto o homem é socializado para valorizar os seus interesses sexuais, as mulheres são educadas para distinguir entre formas de afecto sexual e não sexual.

Há que se munir a sociedade de conhecimentos, de modo a estancar este mal que deixa sequelas profundas e incontornáveis. Terminou apelando Frederico Júnior.

 

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