Preto & Branco

“Ser Músico em Moçambique é Gostar de Fazer Arte” por Jorge Mamade

Fazer música é um acto de paixão. Tudo aconteceu numa manhã solarenga, no bairro Estoril, na cidade da Beira, onde nos deparámos com o conceituado músico moçambicano em pleno recreio. Ficámos ali com vontade de conversar com o artista. Enfim, é de enaltecer a sua prontidão à nossa inquietação.

 Quem é Jorge Mamade?

Jorge Mamade é um músico que nasceu na Beira, em 1962. Vivi a minha infância aqui e tive a instruçâo primária e secundária em Sofala.

Quando é que abraçou a carreira musical?

Comecei a tocar desde a minha infância, em 1983. Integrei-me numa banda chamada III Mundo – foi na altura de guerra –, tínhamos um perímetro apertado. Importa salientar que David Mazembe em memória fazia parte.

Que mensagens podemos encontrar nas suas composições?

Nas minhas composições, falo da vida social, real, isto é, tem sido uma insurgência permanente e constante socialmente.

O que é ser músico em Moçambique?

Ser músico em Moçambique é gostar de fazer a arte. Pode haver alguns que prosperem, mas a maioria tem feito pelo amor à camisola. Para o meu caso, por exemplo, para além de cantar, toco guitarra, o que me tem promovido para ser convidado por outras bandas.

É possível viver da música em Moçambique?

Não é possível: tem de desenvolver algo extra.

Kulota Kwanga é um marco da sua popularidade.

Foi um vídeo que fiz ao longo da linha férrea de Sena, em que exalto um sonho, algo que, em 2003, se tornou uma realidade. Faço menção ao escoamento de Carvão de Moatize e ao açúcar de Marromeu.

É membro da associação dos músicos?

Sim, faço parte da associação moçambicana dos músicos.

O que se pode fazer para assistir o músico?

A associação não tem capacidade para gerir a produção artística. Alguns gravam e divulgam sem falar com a associação. Não temos editoras para tal, o que acomoda a pirataria, que, para mim, tem solução sim, mas requer a boa vontade dos nossos dirigentes. Devia haver um trabalho multissectorial aturado.

Qual é o grande sonho de Jorge Mamade?

Gostava de ver uma harmonia entre o Ministério e a Associação dos Músicos, as editoras abertas para os receber. As gravadoras podiam cobrar o seu preço, o músico idem, e os revendedores também, não haveria espaço para acomodar a pirataria, o trio saía bem na foto.

Quantos discos tem editado?

Com a banda Rastilho, gravei um álbum em 1996 “As meninas de Agora”; em 1998, “Mwatho Muno”; foi editado pela VDisco em 2000 ”Ndogwe”, um trabalho conjunto com a companhia de canto e dança da casa de cultura da Beira; em 2003, gravei mais um álbum “Malária Ngaperere”; em 2006, gravei o álbum “Com amor, carinho e paixão”. Tem muitos temas em língua portuguesa e o último trabalho gravei em 2009, “Madjo lidjo”.

Tem beneficiado de qualquer apoio familiar?

Sim. Tenho tido forte apoio moral.

Que músicos o inspiram?

Salif Keita tem norteado a minha carreira. As minhas composições têm uma harmonia instrumental e voz clássica. Fácil para dançar e cantar.

Algum trabalho à vista?

Tenho mais um trabalho à vista, mas a falta de fundos para tal tem sido grande        travão, mas acredito que um dia farei.

Pode mencionar alguns prémios conquistados?

Em 2000, ganhei o prémio imprensa no Ngoma Moçambique, com o tema “Nhampiapia”. É uma história à volta de uma menina travessa, que abusava da vida, e, mais tarde, acusa os homens.

Tem alguma mensagem especial para seus fãs?

Continuem a confiar em mim, serei sempre o Jorge Mamade e trarei mais trabalhos.

 

 

 

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