Preto & Branco

ExxnoMobil adia decisão final de investimento em Moçambique

O adiamento deve-se a um corte em 2020 nas despesas de capital em 30% e nas despesas operacionais em 15% devido à queda dos preços do petróleo e derivados, provocada pelo excesso de oferta e baixa procura com a pandemia de covid-19.

“Uma decisão final de investimento para o projecto de gás natural liquefeito (GNL) da bacia do Rovuma em Moçambique, prevista para o final deste ano, foi adiada”, lê-se em comunicado acerca do empreendimento avaliado entre 20 a 25 mil milhões de dólares (18,3 a 23 mil milhões de euros), um dos maiores previstos para África.

Portanto, é um valor semelhante ao do megaprojecto da Área 1 da petrolífera francesa Total – que já disse continuar a avançar como previsto – sobre os quais recaem as esperanças de Moçambique de dar fôlego à sua economia.

Neste caso, a ExxonMobil sustenta que “continua a trabalhar activamente com os seus parceiros e o Governo para optimizar os planos de desenvolvimento, melhorando as sinergias e explorando oportunidades relacionadas com o actual ambiente de custos mais baixos”.

E ainda no contexto da Área 4, o desenvolvimento da plataforma flutuante Coral Sul prossegue como previsto, acrescenta, com o navio em construção na Coreia do Sul e início de exploração marcado para 2022.

E nesta senda, a plataforma em mar alto vai fornecer 3,4 milhões de toneladas por ano de gás liquefeito.

A extracção em mar e processamento em terra (península de Afungi) das jazidas Mamba, cuja decisão de investimento fica agora adiada, deverá fornecer 4,5 vezes mais, ou seja, 15 milhões de toneladas por ano.

Lembre-se que a Área 4 é operada pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma ‘joint venture’ em co-propriedade da ExxonMobil, Eni e CNPC (China), que detém 70 por cento de interesse participativo no contrato de concessão.

E A Galp, KOGAS (Coreia do Sul) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (Moçambique) detém cada uma participação de 10%.

A ExxonMobil vai liderar a construção e operação das unidades de produção de gás natural liquefeito e infra-estruturas relacionadas em nome da MRV, e a Eni vai liderar a construção e operação das infra-estruturas upstream (a montante).

“Os fundamentos a longo prazo que sustentam os planos de negócios da empresa não mudaram: a população e a procura de energia irão crescer e a economia irá recuperar. As nossas prioridades de alocação de capital também se mantêm inalteradas”, concluiu Darren Woods, CEO e presidente da ExxonMobil no comunicado de ontem.

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