Preto & Branco

O Perigo à Saúde

O abate de animais faz parte das actividades que outrora eram proibidas de serem desenvolvidas nos mercados do país e nos últimos anos, nota-se que esse tipo de prática tem conquistado o seu espaço sobretudo nos mercados de Maputo. Tais actividades têm sido praticadas sem à observância dos princípios elementares de higiene. Os animais abatidos não são inspeccionados o seu estado clínico, resultante dessa inquietação, a nossa equipa de reportagem procurou ouvir um especialista sob ponto de vista ambiental, se esta prática é exequível em mercados.

O ambientalista Anselmo Gaspar disse a nossa reportagem que os mercados não gozam de boas condições para o abate de animais. Segundo dados ao seu dispor, os mercados em geral não apresentam condições para o abate de animais uma vez que não possuem matadouros vocacionados e equipados, um matadouro em primeiro plano compreende a construção de instalações apropriadas para o abate dos animais, em caso contrário, obrigar que sejam abatidos em matadouros.

Por outro lado, é importante criar condições para drenagem de efluentes resultantes do abate, evitando, desta feita, a exposição das águas nos locais públicos. Importa também referir que a consciencialização deve ser feita primeiro ao Conselho Municipal e através desta entidade permitir-se-ia maior inclusão dos diversos vendedores.

Este processo devia ser acompanhado por campanhas de comunicação, isto é, colocação de panfletos/folhetos sobre a matéria, realização de palestras aos vendedores e divulgação da informação sobre o perigo à saúde que pode advir do lixo.

Gaspar frisou que este assunto é relevante e deve ser tomado a peito o mais rapidamente possível, o CMCM – Conselho Municipal da Cidade de Maputo deve trabalhar com as lideranças dos mercados de modo a travar essa onda de desmandos, também deve ser envolvido o Instituto Nacional de Inspecção das Actividades Económicas.

Nos últimos anos, nos arredores dos mercados: Janete; O Povo; Xiquelene e Xipamanine inala-se cheiros nauseabundos de podridão de restos de animais abatidos naqueles locais e, de forma recorrente este jornal tem abordado as instâncias municipais de Maputo sem qualquer sucesso e a título de exemplo desta má prática esta patente no mercado Povo entre as esquinas das Av. Karl Marx e Ho Chi Min entre o edifício da sede do CMCM e Comando da Policia Municipal de Maputo.

No local vive-se um verdadeiro espectáculo, principalmente no período da tarde onde homens e mulheres depositam águas negras que contem lixo de origem animal. Há quem diga que o que ainda agrava o cheiro no local são os resíduos depositados que contem a sujidade das moelas e tripas que quando atinge o período de deterioração o cheiro é insuportável.

Qual é o público alvo dos matadouros

Vimos no local pessoas instruídas e aparentemente remuneradas, fazem-se ao local em viaturas próprias com colmen em punho para recolher suas encomendas. Mais de vinte frangos são lavados num e único balde plástico de vinte litros, há uma combinação de fumaça e poeira causada pelos frangos ainda na gaiola no aguardo da compra. Existe um serviço de take away, isto é, abate-se, tempera-se e assa-se o animal.

Procuramos ouvir alguns trabalhadores e disseram o seguinte: diariamente compramos uma certa quantidade de água que pode ser usada ao longo dos abates, este tem um acordo com o mercado para despejar os resíduos na tarde de cada dia. Questionado o porquê continuar a depositar águas negras num contentor metálico que já está num estado avançado de degradação, o nosso interlocutor disse que isso era da competência do CMCM. No local é possível ver-se o passeio molhado com as águas negras resultante do abate de animais e quando passa do local fica completamente descontrolado com as emissões resultantes.

Adicionar comentário

Leave a Reply