Preto & Branco

Sobre os Tempos tenebrosos em que Vivemos

Na opinião 4 e 5 reflecti sobre dois problemas que, a meu ver, constituíam um dos grandes flagelos que haveriam de nos assolar com gravidade se não fossem tomadas medidas informadas, assertivas e ousadas. A questão da insurgência que afecta nove dos dezasseis distritos da província de Cabo Delgado e a forma incipiente e descoordenada com que o país se preparava para lidar com uma eventual eclosão da pandemia de Covid-19 constituíam motivos de grande apreensão e alarme. Mas vamos em partes:

Com ao segundo ataque e da vila-sede que é simultaneamente uma vila autarcizada na madrugada de segunda-feira, 23 de Março de 2019 (lembrar que a primeira vez foi a 5 de Outubro de 2017), veio a confirmar a fragilidade das FDS e da própria inteligência do estado. A forma como o ataque foi desencadeado, o à vontade com que os insurgentes se movimentaram pelas artérias da vila até a sua retirada é revelador de que algo não vai bem. A ousadia de hastear as suas bandeiras no quartel das FDS, comando distrital e nas instituições do estado constitui um rude golpe à unicidade do estado e ao nosso orgulho enquanto moçambicanos. Ontem foi Mocímboa, amanhã poderá ser Palma (que dista a apenas 90 km),Macomia, Nangade, Muidumbe, etc. Basta! Algo tem que ser feito: a academia com tanta pesquisa feita sobre o assunto já avançou propostas… mas tudo cai em ouvidos moucos…não basta uma abordagem de força (que parece não termos), vamos experimentar outras alternativas, ou então que seja uma abordagem combinada.

Quanto ao Covid-19, desde o anúncio das medidas de prevenção colectiva e de distanciamento social feito pelo presidente da república, o país entrou em agitação e pânico. As redes sócias (quais veículos de boatos, malvadez, malcriadez e desinformação) ficaram inundadas de informação apocalíptica. Os moçambicanos, individualmente, tornaram-se experts em terapias alternativas: farmácias abarrotadas à procura não só de desinfectantes e máscaras mas também de comprimidos como a cloroquina, etc. para enfrentarem um eventual contágio. As grandes superfícies de venda a grosso e retalho de produtos de primeira necessidade andam apinhados (lembrando os períodos infames de bichas nas lojas do povo e nas cooperativas de consumo): o país está em polvorosa. Mas não teríamos chegado a isto se nos tivéssemos preparado atempadamente e adequadamente para lidar com a situação. Tivemos tempo de aprender com os bons e maus exemplos dos que foram atingidos primeiro tendo em cinta as nossas gravíssimas fragilidades. Como sempre, corremos contra o prejuízo e com todas as consequências daí decorrentes. Que Deus tenha piedade de Nós porque senão, ……!

 

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