Preto & Branco

Sobre a Relevância da Oposição em Moçambique

Desde a introdução da democracia multipartidária em Moçambique com a Constituição de 1990 e as primeiras eleições multipartidárias de 1994, parece que, no geral e com raríssimas excepções momentâneas, os partidos da oposição, que surgem como cogumelos, não têm assumido o seu papel de forma assertiva, republicana e patriótica. A Renamo, o principal opositor da Frelimo em duas fases [1977-1992] como movimento de guerrilha apoiado por uma componente interna e externa e pós 1992 tem, de certa forma influenciado assertivamente nalgumas mudanças de cariz político no país, incluindo o recente pacote de descentralização resultante das negociações que levaram aos Acordos de Paz de Agosto de 2019.

Todavia, tais iniciativas negociais com o governo parece visarem apenas acomodar interesses estritamente ligados às mordomias das lideranças e vantagens económicas para os membros do seu braço armado. Não reflectem o interesse do seu eleitorado em aspectos ligados à uma melhoria dos serviços sociais básicos como a educação, saúde, segurança, transporte, alimentação, etc. Não discute, negoceia ou influência com a mesma persistência e intensidade aspectos ligados à melhoria das condições de vida dos moçambicanos particularmente no meio rural.

Quase toda a oposição, com algumas excepções, não participa das comemorações e efemérides que exaltam a Moçambicanidade e o espírito patriótico. Independentemente das diferenças que possam existir, esses momentos são a expressão máxima do nosso ideal libertário e de construção de um estado. Isso não se pode ignorar!

Na verdade, o único momento em que a oposição ressurge, é nos períodos eleitorais por causa do dinheiro do erário público de que se beneficiam alegadamente para financiar o processo eleitoral, o que na verdade financiam, isso sim, as contas bancarias dos seus dirigentes. Uma oposição que se quer credível e que pretende ser alternativa e governo, não pode estar à margem dos principais processos do país: deve participar e demonstrar que as suas reivindicações são credíveis e justas.

Não é boicotando tais eventos e momentos simbólicos, colocando- se à margem destes processos que se irão fortalecer enquanto alternativas credíveis e relevantes e granjear a simpatia e preferência do eleitorado. Na verdade, a postura e atitude da oposição em Moçambique contribuem para a polarização e surgimento de tendências fracturantes e intolerância na nossa sociedade. Ao não saber ser e estar como oposição, contribui igualmente para sensação de intolerância e arrogância política de quem governa actualmente.

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